A música tem que ser ouvida ou dançada, tem que ser vivida, diz Miguel Esteves Cardoso que acaba de lançar uma nova edição da sua obra de culto, Escrítica Pop, que tem quase o dobro do tamanho das anteriores. Porque inclui um livro praticamente inédito — O Ovo e O Novo — que completa o texto original.

Os artistas e as artistas que levaram a pena do autor ao papel já são históricos — Talking Heads, Joy Divison, Joni Mitchell, Leonard Cohen, The Fall, Amália Rodrigues, The Specials, Ornette Coleman, Bruce Springsteen ou PIL. Foram cravados nos anos 80, quando MEC vivia em Inglaterra e reportava ao vivo o pós-punk britânico para euforia dos melómanos em Portugal que, sem acesso aos discos, tinham a escrita de Miguel Esteves Cardoso para imaginar. Uma escrita que tinha as certezas da juventude e o gozo do gosto, qualidades que dançam com uma intuição atenta e inteligente.

Miguel Esteves Cardoso, 67 anos, não gostava apenas dos discos e das bandas, sabia gostar dos discos e das bandas e, o que era não muito comum, para lá da música. MEC é um crítico apaixonado pelo que critica que não esquece a dúvida, a ponderação, mesmo quando estas o empurram para o paradoxo. A pop é plástica, mas tem um coração verdadeiro. Entrevista e elogio o livro é fabuloso por José Marmeleira.

 

 

Gonçalo Frota aponta-nos um oásis entre Paris e Adis Abeba: os KUTUtrio formado pelas cantoras Haleluya Tekletsadik e Hewan Gebrewold, e pelo violinista Théo Ceccaldi, e uma música que é todo um novo lugar desconhecido dos mapas.​

 

Vítor Belanciano dança com o novo disco de BeyoncéRenaissance, uma homenagem às músicas de dança do passado com o vigor irrecusável do presente.​

 

A música é um dos maiores patrimónios da nação brasileira, nela se reflectem influências africanas, indígenas, europeias (portuguesas, italianas, espanholas) mas também influências diversas das grandes correntes musicais globais, da música jazz ao rock, passando pela pop, a música electrónica, o hip-hop, o funky, o reggae, o country, etc. Mas mais quatro anos de bolsonarismo poderão transformá-la num grande deserto onde apenas se vislumbra a miragem da música sertaneja: um travelling ensaístico, sobre música e política, por João Peste Guerreiro

 

Isabel Lucas entrevistou Richard Powers. Não chamem eco-ficção ao que ele escreve. "Isso não faz sentido. Há boa e má literatura", diz um dos autores norte-americanos mais premiados numa entrevista a partir das Smokey Mountains onde vive desde que se dedicou ao épico, Overstory, sobre a Natureza no continente americano. A seguir anunciou o fim da carreira. Mas voltou com um livro que acaba de chegar a Portugal depois de ser finalista do Booker: O Assombro. Está outra vez a interrogar o planeta.

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