Livro de praia

Eu e Pamuk estamos a escrever esta crónica de Verão e cometemos delitos de confissões de intimidades, e, como sempre, mentimos, ou talvez não – escrevemos isto só para perturbar o leitor de Agosto.

Foto
EPA/Francisco Guasco

Desde que há uns meses fui a Istambul que não saio de Istambul. E isto especialmente sempre que vou à praia. Há razões fortes para isso e resumem-se a um Nobel: Orhan Pamuk. Se um viajante que ama uma cidade por ela passeia a ler o seu escritor é certo e sabido que cidade, viagem e literatura se fundem num corpo só. E isto, no caso de Orhan, é dizer que se entra num labirinto do qual é difícil sair, particularmente por falta de vontade. Quer o destino que quase todos os dias vá à praia e leve como companhia o meu Orhan. Estou naquela fase de ler tudo o que ele já pintou. Eu não quero sair de Orhan, tornou-se uma coisa física, como, aliás, é a obra deste turco cosmológico, que ficciona sem nunca sair ele próprio do texto.

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