Passagem de testemunho em Avignon: Tiago Rodrigues sucede a Olivier Py (e a Miss Knife)

Mãos nos bolsos, coração ao alto, Kae Tempest levantou a Cour d’Honneur no final da 76.ª edição do festival. A próxima já terá a assinatura do encenador e dramaturgo português, ao qual o seu antecessor, após uma despedida em drag, já tratou de passar a coroa – e respectivos espinhos.

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Tiago Rodrigues e Olivier Py: sucessão no Festival de Avignon Christophe Raynaud de Lage

A inaudita paragem pandémica de 2019 rendeu a Olivier Py a compensação de um ano de reinado extra em Avignon, e o director do mais icónico festival de teatro da Europa – continental, bem-entendido – não se poupou na despedida. A uma nova produção monumental, Ma Jeunesse Exaltée, regresso ao local onde há 27 anos instalara a peça de 24 horas que o inscreveu na memória colectiva do festival, juntou uma soirée de cabaré em que o seu conhecido alter-ego em drag, Miss Knife, partilhou os holofotes da Ópera Grand Avignon com a “irmã” de palco Angélique Kidjo e – guerra na Ucrânia oblige – com as irmãs de luta Dakh Daughters. Foi ao final da tarde de terça-feira, horas antes de Kae Tempest, mãos nos bolsos, coração ao alto, levantar (literalmente) a Cour d’Honneur do Palácio dos Papas, pondo com as suas palavras duras mas esperançosas o definitivo ponto final numa sequência de nove anos que começou em greve e acabou em guerra, com uma pandemia pelo meio.

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