Há quanto tempo não fala com aquele amigo? Os investigadores aconselham: mande-lhe uma mensagem

Apesar de muitas vezes subestimado, um simples “olá” pode ter um impacte significativo nas outras pessoas, diz um novo estudo, a partir de 13 experiências com quase seis mil participantes.

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A expectativa dos investigadores é de que as pessoas se sintam encorajadas a contactar com mais frequência outros amigos Nelson Garrido/Arquivo

Muitas pessoas têm receio de entrar em contacto com aquele amigo com quem não falam há muito tempo, mas um estudo recente concluiu que, na verdade, quem está do outro lado encara melhor essa conexão do que aquilo que se pensa. E não interessa o meio de contacto: telefonema, mensagem, e-mail ou mesmo uma prenda; o que importa é surpreender a outra pessoa.

“Até mesmo enviar uma breve mensagem a alguém só para dizer ‘olá’ ou que está a pensar nessa pessoa, e perguntar como é que está, pode ser apreciado mais do que as pessoas pensam”, explica a autora principal do estudo, Peggy Liu, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, citada pelo The New York Times. O estudo, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, esta semana, parte de uma série de 13 experiências, quer reais, quer hipotéticas, envolvendo quase seis mil participantes.

A pesquisa abrangeu várias hipóteses, incluindo contactos com amigos mais próximos, mas também pessoas com vínculos mais fracos. Realizados os testes, os investigadores procuraram perceber o grau de apreciação, até sete, de quem foi contactado, bem como a percepção daqueles que participaram nas experiências. A conclusão é de que foi sempre subestimado, de forma significativa, o impacte que algo como um simples “olá” pode ter nas outras pessoas.

Para Peggy Liu, citada pelo The Guardian, essa percepção errada deve-se ao facto de “as pessoas que pensam entrar em contacto não pensarem no quão positivamente surpreendidas as outras pessoas se sentem quando contactadas”.

Interacções são subestimadas

Uma das experiências incluiu 54 pessoas, que escreveram a um colega da universidade com quem não falavam há algum tempo. Os resultados apurados mostram que o contacto foi recebido com estima: numa escala de sete pontos, os receptores avaliaram o seu nível de apreciação em 6,17, ao passo que a percepção dos participantes foi de 5,57.

Agora, a expectativa dos investigadores é de que as pessoas se sintam encorajadas a contactar, com mais frequência, outros amigos “por si só”. A investigadora da Universidade de Pittsburgh lamenta, citada pelo The Guardian, que “muitas pessoas estejam hesitantes” em estabelecer ligação com contactos mais antigos, assinalando ser “provável que os outros apreciem ser contactados mais do que as pessoas pensam”.

Já antes havia alguma pesquisa que apontava para um sentimento de satisfação por parte de quem interage com alguém pela primeira vez ao fim de algum tempo. Um estudo publicado no The American Journal of Geriatric Psychiatry descobriu que as pessoas de mais idade se sentem mais realizadas quanto têm interacções sociais positivas. Ao The New York Times, Gabrielle Pfund, uma das autoras, disse que a pesquisa sugere que aqueles com quem se passa mais tempo têm um “impacte muito grande” no bem-estar.

Na opinião de Marisa Franco, psicóloga e professora na Universidade de Maryland, existe um preconceito de que amigos e conhecidos não vão estar tão receptivos a um contacto como se gostaria. Em conversa com o The New York Times, a psicóloga justifica essa ideia preconcebida tendo por base dois conceitos: liking gap (“intervalo de gostos”, em tradução literal) e beautiful mess effect (“belo efeito de confusão”, em tradução literal).

No caso do primeiro, Franco verifica que as pessoas tendem a subestimar o quanto os outros gostam delas. Para além disso, segundo o fenómeno “beautiful mess effect”, há uma tendência para as pessoas se preocuparem em demasia com o que os outros pensam quando se encontram mais vulneráveis. Tanto um factor como outro podem ter um efeito significativo nas interacções sociais, aponta.

“Para funcionarmos no nosso melhor, precisamos de estar em interligação com os outros”, considera Marisa Franco, para quem “estar interligado” é uma componente de uma mente sã, tanto como o é comer ou beber.


Texto editado por Carla B. Ribeiro

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