O girar das portas giratórias

Merece aplauso a recente decisão do Conselho Superior da Magistratura, de criar um grupo de trabalho para propor uma alteração legislativa que limite o exercício de funções políticas por juízes. Um aplauso, contudo, ainda prudente.

Há tempos, numa conferência da Medel (associação de Magistrados Europeus pela Democracia e pelas Liberdades), a procuradora geral da República (PGR) de Espanha falava sobre política, justiça e independência. Lembrei-me do seu percurso e ri-me para dentro. Dolores Delgado é procuradora de carreira, foi fundadora e dirigente da União Progressista de Procuradores (assumidamente de esquerda e apoiante do PSOE) e, assim que Pedro Sánchez chegou a primeiro-ministro, foi para ministra da Justiça e a seguir saltou para procuradora geral. Amanhã, quando o PSOE sair do Governo, provavelmente regressa à condição de magistrada, como se nada fosse.

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