Quem é o secretário de Estado por trás do despacho do novo aeroporto de Lisboa?

Pedro Nuno Santos assumiu a decisão de avançar com a solução Montijo/Alcochete, mas o polémico despacho teve a assinatura do secretário de Estado das Infra-estruturas.

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O secretário da Estado das Infra-estruturas e o ministro das Infra-estruturas e da Habitação LUSA/TIAGO PETINGA

Foi Pedro Nuno Santos quem esteve no centro da polémica do futuro aeroporto de Lisboa e quem assumiu a “inteira responsabilidade” pela forma como o seu gabinete tomou esta quarta-feira a decisão de avançar com a solução Montijo/Alcochete, tendo até estado em cima da mesa a sua eventual demissão. Mas por trás do despacho que o ministério das Infra-estruturas e da Habitação publicou, esteve também o secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Santos Mendes, que inclusivamente assinou o documento.

Embora não seja invulgar que um secretário de Estado assine um despacho deste tipo e o mesmo vincule o ministério, o plano aeroportuário que marcou a agenda mediática esta semana teve também a mão do até agora discreto secretário de Estado, que tem lidado recentemente com os desafiantes dossiers da TAP e da ferrovia e que já antes teve de enfrentar o leilão para a tecnologia do 5G e o contrato de concessão dos CTT.

Mas quem é este secretário de Estado que ganhou a confiança política de Pedro Nuno Santos para o acompanhar de secretaria de Estado em ministério há pelo menos sete anos e que ainda esta quinta-feira o substituiu no conselho de ministros?

Com apenas 30 anos, Santos Mendes, sociólogo de formação, tornou-se assessor da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, cargo que assumiu entre 2006 e 2009, tendo a seguir exercido funções como adjunto do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, José Almeida Ribeiro, durante o segundo Governo de Sócrates.

Daí, passou a assessorar o grupo parlamentar do PS na Assembleia da República e, em particular, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, da qual fazia parte Pedro Nuno Santos, à data deputado.

Foi a primeira vez que os dois homens do Norte — um de Aveiro e o outro do Porto — se cruzaram profissionalmente, mas não a última. No primeiro Governo de António Costa, em 2015, Hugo Mendes foi convidado para adjunto de Pedro Nuno Santos, que foi escolhido pelo primeiro-ministro para secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, numa altura de difícil negociação com os parceiros políticos da geringonça, e os dois não se separaram deste então.

Com a subida de Pedro Nuno Santos para ministro das Infra-estruturas e da Habitação, em 2019, o adjunto chegou a chefe de gabinete do governante por um ano, passando em 2020 a assumir funções como secretário de Estado Adjunto e das Comunicações.

Na actual legislatura e na continuação de uma trajectória já ascendente, veio substituir Jorge Delgado como secretário de Estado das Infra-estruturas, ao lado de Marina Gonçalves, que tem a pasta da Habitação, lugar onde promete ficar, visto que Pedro Nuno Santos vai continuar no Governo.

A proximidade ao ministro, além de política é também partidária, e ganhou contornos públicos com o 22.º Congresso do PS, de 2018, no qual Hugo Santos Mendes apresentou a moção sectorial subscrita por Pedro Nuno Santos.

Uma moção marcadamente à esquerda — é nessa ala do PS que o actual secretário de Estado se situa —, que defendia o papel do Estado no desenvolvimento da economia, e um congresso que ficou marcado como aquele em que Pedro Nuno Santos se posicionou para futuro líder do partido.

Caso a promessa se venha a concretizar, após a saída de António Costa, a ainda pouco conhecida cara do número dois de Pedro Nuno Santos poderá ser uma a que nos venhamos a habituar.

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