A política externa feminista da Suécia, a NATO e Erdogan

1. Em política externa, seria difícil um contraste mais agudo do que o existente entre a Suécia e a Rússia e Turquia, os seus vizinhos belicosos do leste e sul. A explicação é de natureza geopolítica. Todavia, é também mais profunda e complexa do que isso. As divergências geopolíticas são amplificadas por visões do mundo e valores radicalmente diferentes. Num caso, temos um Estado (a Suécia) que rompeu com o seu passado de grande potência conquistadora (até inícios do século XVII) e se afastou dos modelos sociais tradicionais. No outro caso, há Estados herdeiros de grandes impérios que perduraram até inícios do século XX — o Império Russo e o Império Otomano — onde persiste uma vontade de continuidade. Nestes últimos, a ambição é geopolítica, mas transcende-a também. Existe um intuito de projectar no século XXI valores e instituições de outrora. Em oposição, a Suécia está impregnada de ideais e valores de transformação social e política que rejeitam o passado. Nas palavras do Governo sueco, as quais se podem ler no Manual de Política Externa Feminista da Suécia, foi “o primeiro país do mundo a adoptar uma política externa feminista.”

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