Investigação do MP não ensombra entrega de medalha da cidade do Porto a Nuno Botelho

Essência do Vinho, da qual empresário foi sócio até há pouco tempo, está desde 2021 a ser investigada por teia de negócios que terá prejudicado o Estado. Nuno Botelho recebeu medalha municipal de mérito

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Nuno Botelho ao lado do Presidente da República numa visita ao Palácio da Bolsa NFACTOS / FERNANDO VELUDO

A Câmara do Porto aprovou por unanimidade entregar a medalha municipal de mérito, grau ouro, a Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto e até fim de Fevereiro um dos sócios da Essência do Vinho, empresa que organiza um grande evento de vinhos no Porto que está a ser investigada pelo Ministério Público (MP) desde 2021. A atribuição destas distinções a “pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que se notabilizaram pelos seus méritos ou feitos cívicos”, compete à Câmara do Porto, sob proposta de Rui Moreira e após recomendações dos vereadores ou do conselho consultivo da Assembleia Municipal (AM).

A lista de distinguidos aprovada por unanimidade esta segunda-feira em reunião do executivo já havia conseguido luz verde, também por unanimidade, na reunião do conselho consultivo da AM com o autarca do Porto, no dia 14 de Junho.

Num dos anexos da proposta à qual o PÚBLICO teve acesso refere-se que Nuno Botelho, antigo braço-direito do presidente da Câmara do Porto nas suas lides de dirigente associativo, “é um homem do Porto e um produto do Porto”. “A sua acção confunde-se com os interesses do Porto”, completa a pequena biografia.

Licenciado em Direito, Nuno Botelho desenvolveu uma carreira “intimamente ligada ao turismo desde 2000”, quando assumiu a gestão de clientes da Exponor, acrescenta o anexo da proposta, e foi “coordenador do gabinete da Câmara do Porto responsável pela gestão do Euro 2004”. Está desde 2013 à frente da Associação Comercial do Porto, já presidida por Rui Moreira, e tem pautado a sua acção pela “defesa dos interesses locais, como o aeroporto Francisco Sá Carneiro ou o Porto de Leixões”, desenvolvendo um trabalho “exemplar”.

Este ano, a medalha municipal de honra da cidade é atribuída a Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, e Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura. Também com a medalha municipal de mérito, grau ouro, são distinguidos mais 27 cidadãos, entre os quais o geógrafo Álvaro Domingues, o proprietário do Passos Manuel e fundador do Anikibobó, António Guimarães (mais conhecido como Becas), o arquitecto Carlos Prata, a astrónoma e professora catedrática Teresa Lago, a jornalista do PÚBLICO Ana Cristina Pereira ou o macaense Alexis Tam.

Recebem ainda a mesma medalha, como pessoa colectiva, a CASO – Consumidores Associados Sobrevivem Organizados, o Centro Comunitário São Cirilo, o Centro Hospitalar de São João, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Colégio Nossa Senhora do Rosário, o Ramaldense, a confeitaria Petúlia ou a tasca “da Badalhoca”. A título póstumo a medalha é entregue ao historiador Eugénio dos Santos, ao presidente da junta de Campanhã, Ernesto Santos, ao médico legista José Eduardo Pinto da Costa e a Raul Castro, antigo deputado da CDU que defendeu o “maior número de antifascistas no Tribunal Plenário”. Maria do Céu e Raul Matos Fernandes recebem a Medalha Municipal de Bons Serviços.

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