Criança de três anos terá sido agredida na cabeça. Morreu por causa de pagamento que não chegava a mil euros

Mãe da criança de três anos contratou serviços de mulher para lhe fazer “rezas” que melhorassem relacionamento com companheiro. Mas esta sequestrou-lhe a filha para lhe extorquir mais dinheiro.

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A Polícia deteve três pessoas da mesma família suspeitas de rapto e homicídio da criança de três anos Miguel Manso

A menina de três anos morta em Setúbal, Jéssica, terá sido agredida com violência na cabeça pela mulher a quem a sua mãe recorreu para lhe fazer rezas destinadas a melhorar o relacionamento com o companheiro. Neste momento, ainda não é porém claro se foi mesmo esta “bruxa” ou os familiares com quem ela morava, o marido e a filha, a maltratar a criança até ao limite.

Embora ainda não sejam todos conhecidos, os contornos do caso passado na zona histórica de Setúbal começam a delinear-se. Segundo fonte da investigação, a mãe da menina terá pago a esta mulher um valor combinado para que lhe prestasse serviços de bruxaria. Mas como a suspeita queria mais dinheiro, tentou convencê-la de que eram necessárias mais sessões além da primeira. Como a mãe da criança não pagava, convenceu-a a ir a sua casa no passado dia 15 de Junho, para falarem. E ter-lhe-á dito que levasse consigo Jéssica, porque tinha uma neta também com três anos e assim podiam brincar juntas um bocado. Também lhe pediu roupa para a neta.

Nesse dia abriu a porta de casa a mãe e filha. Mas enquanto a criança entrava barrou a passagem à progenitora, que deixou à porta: se não lhe entregasse várias centenas de euros não voltava a ver a filha tão cedo. “Se fores à polícia a tua filha é que vai pagar”, ter-lhe-á dito.

Os juros da suposta dívida iam aumentando à medida que passavam os dias. A mãe foi-se embora para casa e não terá contado nada a ninguém, nem ao companheiro, atemorizada com o que podia suceder a Jéssica, conta fonte da Polícia Judiciária, com base nas declarações da progenitora. Durante os telefonemas que ia recebendo da sequestradora a pressioná-la para arranjar o dinheiro ouvia gritos infantis em ruído de fundo. Seriam da filha ou da outra criança? Não conseguia perceber. Porém, como explicar que tenha sido vista num espectáculo itinerante que a TVI fez em Setúbal no domingo, já com a menina em cativeiro há quatro dias?

Nunca pagou o valor que lhe exigiam, um pouco menos de mil euros. Ao quinto dia novo telefonema: queriam devolver-lhe a filha, mas num encontro na rua. Jéssica tinha sido vestida de forma a encobrir os maus tratos, e também lhe tinham posto uns óculos para disfarçar as lesões no nariz. Disseram-lhe que a filha dormia – quando, na realidade, estava desfalecida. E que tinha caído de uma cadeira. Mas se se atrevesse a ir com ela ao hospital ou à polícia matavam-na, a ela e ao resto da família.

A mãe levou Jéssica para casa e acabou por se aperceber de que havia algo errado no suposto sono. Chamou o INEM, mas era demasiado tarde para a salvar.

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