Génio, o tanas!

Hoje utiliza-se a palavra génio por tudo e por nada. É o génio que fez uma descoberta científica. É o escritor que decidiu ser génio. Ou o tenista que teve uma performance genial. Enfim, uma lista infindável de gestos restritos a personalidades iluminadas.

“É um génio! O tipo é um génio, ouviste?”, gritava-lhe ele, fazendo com que não só ela ouvisse, como quem estava à volta, apesar de estarmos num dos lugares mais improváveis para escutar conversas — no meio de uma multidão excitada, durante o concerto de Nick Cave e dos Bad Seeds, no último fim-de-semana no Porto. Foi num intervalo entre canções, daí que a exclamação dela, apesar de mais serena, também ter sido audível: “Génio, o tanas! É apenas alguém como nós e é por isso que é tão bom!”

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