Cartas ao director

SNS: o pântano

A anterior Lei de Bases da Saúde permitiu acelerar a promiscuidade difusa entre o serviço nacional e o negócio privado da saúde. Sem uma carreira estimulante, muitos médicos que sofrem da síndrome BMW (há sempre um BMW com mais uns cavalos que o seu) preferem viver no stress permanente exigido pela facturação no consultório seguinte. Os conflitos de interesses neste pântano são evidentes e corrosivos para o SNS.

É urgente aprovar um Estatuto para o SNS que permita garantir uma carreira médica estimulante e torne finalmente operacional a nova Lei de Bases da Saúde. O negócio liberal da contratação avulsa está a destruir o SNS, permitindo ao sector privado ficar com a carne e deixar para o público os ossos. Quando há falta de profissionais em serviços essenciais, estamos apenas a ver a ponta de um icebergue: a lei da oferta e da procura pode ser fatal para quem precisa de ajuda urgente num hospital.

José Cavalheiro, Matosinhos

Mais uma vergonha: CTT

Os atrasos na entrega de correspondência e cartas atingiram, em Portugal, níveis impróprios de um país desenvolvido. Nos CTT faltam carteiros, alteram constantemente as voltas de distribuição aos que existem e quem sofre, uma vez mais, são os cidadãos. Tudo isto era previsível deste a privatização efectuada por Passos Coelho.

Em Fevereiro deste ano começou a vigorar o novo contrato de concessão válido durante sete anos e assinado em Janeiro de 2022, e pelo qual cabe ao Estado português a definição dos parâmetros de qualidade na prestação do respectivo serviço. Será que o Governo vai ficar calado face a tudo o que continua a acontecer e que começou desde a aplicação do contrato de concessão anterior? Porque renovaram o contrato depois de tudo o já vinha acontecendo?

O fraco serviço prestado pelos CTT é mais uma vergonha a juntar ao que diariamente continua a acontecer nos vários serviços públicos, onde realçamos, pela sua gravidade, o fecho de serviços de urgência em diversos hospitais. Estará António Costa e o seu Governo a dormir ou estamos mesmo a falar de incompetência? Começo a ficar com dúvidas.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

Imperialismos

Tem havido um certo pejo de tornar evidente que os imperialismos agressivos se assemelham em quase tudo. Os motivos que Putin usou para iniciar esta guerra, que pode vir a ser a 3.ª Guerra Mundial, são a protecção e integração das populações russófonas e a necessidade de defender a sua “zona de influência”. Os dois argumentos de Hitler para iniciar a 2.ª Guerra Mundial foram a protecção e integração das populações germanófonas e germanófilas e a necessidade de preservar o seu “espaço vital”. Qual é a diferença? Qual a diferença da razia completa de Mariupol e outras pequenas terras ucranianas com as perpetradas pelos nazis ou pelos franquistas/nazis em Guernica?

Os democratas “burgueses” condenam igualmente os dois tipos de guerra suja e criminosa, como condenam e condenaram sempre os actos do imperialismo americano. Infelizmente, temos entre nós quem só condena estes últimos e faz por esquecer os russos só porque ali repousa a saudosa herança (ah! que saudosa…) dos soviéticos. E não me falem da História. Compare-se a narrativa de “historiadores” que às vezes chegam até nós, seja de uma Fátima Bonifácio ou de um Manuel Loff, para ver como a História pode ser contada de diferentes formas...

Fernando Santos Pessoa, Faro

Norte e Sul: a mesma saúde?

O Centro Hospitalar do Porto (CHP) venceu o ranking Top 5 – A excelência dos hospitais pelo quinto ano consecutivo – li há dias no PÚBLICO. Outros hospitais e Unidades de Saúde Familiar também ficaram bem posicionados. Desde há umas semanas que temos lido e ouvido constantes notícias de falhas no atendimento a doentes em diversos serviços nos hospitais de Lisboa e a sul de Lisboa. O cidadão comum pergunta as razões para tal facto. Será que no Norte há maior interligação entre serviços e o ambulatório? Será que os quadros médicos estão mais preenchidos? Será que o poder atrativo do setor privado é maior em Lisboa? Todos gostaríamos de saber da boca da senhora ministra a razão destas disparidades. Eu, que vivo no Grande Porto, sinto-me confortável com os serviços públicos de saúde, embora nas férias haja sempre falhas, há muitos anos, que são compreensíveis. O PÚBLICO, como jornal de referência, podia também averiguar as causas desta diferença e dar uma grande ajuda ao esclarecimento dos portugueses.

José Carlos Palha, Gaia

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