Mar de Marchis (1968-2022), o fantasma mais admirado da imprensa espanhola

Viveu no anonimato e partiu sem lhe conhecermos o rosto. Mar de Marchis deu a Espanha uma revista cultural feita com o tempo que escasseia noutros meios. A Jot Down ganhou o seu espaço e fez da sua criadora um mito.

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A revista cultural Jot Down começou em 2011 apenas em suporte digital — a passagem para o papel foi um sucesso DR

A sua mais importante criação fez de Mar de Marchis um poço de curiosidade, até para os próprios jornalistas e colaboradores da revista que fundou, pessoas com quem falava regularmente, mas que nunca lhe viram o rosto. Foi da sua cabeça que surgiu a Jot Down, uma revista cultural que nasceu em 2011 — primeiro, só online e com um foco em entrevistas e textos de opinião — e que foi evoluindo com a premissa de fazer jornalismo cultural com tempo, uma espécie de The New Yorker à espanhola. Como imagem de marca deixou uma revista pensada a preto e branco, incluindo as fotografias que mantêm nos tons de cinzento a sua imagem de marca. A equipa foi-se formando com recurso ao telefone. Quando havia pedidos de encontros pessoais, Mar de Marchis escusava-se no mito que havia criado: estaria em viagem ou ocupada a representar, como advogada, empresas espanholas no estrangeiro. Nunca se apresentou em qualquer evento ou se mostrou disponível para receber quem a procurava.

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