Os Fugly são uma muito sonora vitória sobre o tédio e a precariedade

Quatro anos depois de Millenial Shit, a banda portuense edita Dandruff. Música sobre (e contra) os “stresses da vida adulta”, rock’n’roll feito grito vital. Cantam com intensidade (e sarcasmo) uma existência no fio da navalha.

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André Coelho

Duas guitarras, baixo, bateria e voz. Rock’n’roll sem artifícios, directo ao assunto, tudo energia trocada entre palco e plateia. Guitarras em eléctrico alvoroço, secção rítmica em modo locomotiva, saltos, letras bem berradas, pessoal a entusiasmar-se com o que vê e ouve, pessoal da banda e pessoal cá em baixo a tornar-se muitas vezes um só. Não surpreende que assim seja. Tal como os Buzzocks ontem os Fugly – o nome, já agora, é contracção de “fucking ugly” —, põem em canção o viver da sua geração – ah, a precariedade, o futuro assombrado por tempos cinzentos, ah, a salvação num refrão bem montado. Tal como os Pavement nos 1990s, os Wavves há não muito tempo, os Fugly têm o sarcasmo e o humor “slacker” do seu lado – forma de gritar vitória sobre a ansiedade e os horizontes estreitos. “Music makes me feel so good/ but I got no money from making/ music makes me feel so good”, cantam e repetem no novo disco, e hão-de terminar em coro colectivo, eles, amigos e amigas, tudo junto na garagem, no disco, no concerto.

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