Não mexam no meu popó

Uma coisa é debater com seriedade tudo o que falta para Lisboa ter uma mobilidade que não a envergonhe. Outra é descartar medidas perfeitamente convencionais no debate atual sobre cidades como se de delírios de ativistas alienados se tratasse.

Foi no verão de 2007 que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu encerrar o trânsito automóvel na Praça do Comércio aos domingos. Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP) desde 2004, desempenhou à época impecavelmente a sua missão de lobista-mor a favor do direito supremo da utilização da viatura privada. A 8 de janeiro de 2009, o ACP publicou no seu site uma notícia sugestivamente intitulada “ACP apresentará Estudo para inviabilizar Plano de Encerramento do Terreiro do Paço ao Trânsito”. As maiúsculas são do original. A ideia, portanto, é que existiria um estudo, daqueles com E maiúsculo, só que tinha um problema: o ACP sabia previamente o resultado do dito. O ACP previa um cenário apocalítico de congestionamento de ruas sem capacidade para absorver o trânsito que seria desviado do “sistema viário da Baixa/Praça do Comércio” e até – pasme-se – uma situação “igualmente negativa” na circulação dos transportes públicos.

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