Cartas ao director

Licença menstrual

Li o artigo de Maria João Marques e o artigo no jornal sobre a história da chamada licença menstrual [ambos na edição de ontem]. Começo por ressalvar que as cólicas menstruais não afectam só as mulheres que sofrem de endometriose.

No meu caso, por causa dum desregulamento hormonal na menarca e menstruações seguintes, tinha no primeiro dia cólicas e enxaqueca incapacitantes, não saía da cama nem tolerava a luz ou cheiros, usava um saco de água quente para acalmar as cólicas muito dolorosas. No meu caso durava só o primeiro dia.

Resolvi parte com consulta de ginecologia, passei a tomar a pílula que ajudou muito e analgésico adequado, isto foi há 40 anos.

Entre o “feminismo bacoco” da deputada Rita Matias do Chega e a visão prática de Maria João Marques, nomeadamente quanto à privacidade e remuneração, fica uma pergunta: não poderia ser negociado em sede de concertação social ou negociação colectiva um dia em que a trabalhadora em idade fértil pudesse faltar sem justificação e perda de salário? Chamemos-lhe discriminação positiva.

Maria da Silva, Lisboa

É ou não é

Durante quase duas horas assisti interessado ao programa da RTP1 sobre a pandemia. Participantes de luxo, desde o esplêndido moderador Carlos Daniel, alguns dos melhores especialistas sobre virologia e saúde pública até à directora geral de saúde. Explicações sobre a pandemia, as estirpes, as máscaras, os efeitos perversos sobre as outras doenças, blá blá blá. E não houve uma santa alma que fizesse a seguinte pergunta: “Porque é que Portugal é o pior país da Europa e o segundo pior do mundo, em termos relativos, apesar da nossa boa vacinação, efectuada com eficiência e pouca contestação”. Alguém responderia? Azar, incompetência, excesso de competência em diagnosticar e assinalar? Testes a mais ou testes a menos? É uma confusão.

Ah, outro azar dos Távoras: já somos os piores da Europa na varíola-dos-macacos. Dá que pensar...

Jorge Calado, Lisboa

Mau exemplo para o mundo

A acção criminosa levada avante pelas Forças Armadas da Federação Russa, ao invadirem a Ucrânia a 24 de Fevereiro sem serem provocadas, consubstanciou-se num mau exemplo para o mundo e um crime contra a Humanidade.

Sendo a Rússia o maior território do globo, com fronteiras com dezassete países, atravessado por onze dos vinte e quatro fusos horários, ocupando grande parte de dois continentes – a Europa e a Ásia, o que mais lhe faltará para saciar a galopante fome expansionista e imperialista do desalmado ditador Vladimir Putin?

O mais grave é termos intramuros quem faça continuado bullying ideológico contra todos os cidadãos que não são defensores de tais padrões totalitários, que são iguais aos que dizem não professar, mas, estamos certos, levá-los-iam à prática se isso lhes fosse possível.

José Amaral, Vila Nova de Gaia

Jerónimo e a homenagem a Catarina Eufémia

Jerónimo de Sousa homenageou em 22 de Maio passado em Baleizão, e muito bem, Catarina Eufémia, evocando a sua inexcedível coragem e luta pela liberdade. Pena é que continue a desprezar toda a capacidade de luta e coragem levada ao limite de todos os ucranianos e ucranianas que continuam a lutar contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, tentando assim não perder a liberdade que Jerónimo de Sousa tanto aprecia. Contradições incompreensíveis, ou talvez não.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

Nunca estivemos tão desprotegidos

Realmente vivemos um tempo de perigos. É a covid que não nos larga. Nova vacinação de reforço pode ser generalizada para breve, envolvendo muitas mais faixas etárias. E tudo porque o vírus vai e vem e, quando menos se espera, aí está ele a proliferar de novo e sem controlo. Também a chamada monkeypox - a varíola-dos-macacos - começa a dar que pensar perante o aumento de casos. Caracterizado, nomeadamente, por erupções cutâneas, este tipo de infecção - segundo especialistas - aconselha ao confinamento, enquanto as crostas derivadas não caírem e limita a normalidade de vida dos infectados em duas a quatro semanas, sem o que pode haver sérios riscos de contágio. Não tem havido muitos casos, mas só a existência de mais este vírus afecta, a dobrar, a segurança de todos e aconselha aos maiores cuidados, de tal maneira que poderá vir a impor-se vacinação adequada. Mais uma! Nunca como agora estivemos tão desprotegidos e cercados por vírus que podem espreitar a cada canto ou situação. Enfim, males num todo ambiente que já teve melhores dias.

Eduardo Fidalgo, Linda-a-Velha

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