Testemunhas de Amber Heard desacreditam Johnny Depp, mas o actor tem um trunfo: o apoio de Kate Moss

As testemunhas de Amber Heard continuam a corroborar a versão de que Johnny Depp é violento e declaram que a actriz perdeu milhões por causa deste caso. Mas o actor ainda guarda muitas horas para refutar o que está a ser dito.

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Kate Moss e Johnny Depp, em Cannes, em 1997 Patrick Hertzog/Pool via REUTERS (arquivo)

O julgamento que opõe Johnny Depp a Amber Heard entrou na última semana, com as alegações finais marcadas para dia 27, próxima sexta-feira. A juíza Penney Azcarate informou, ainda na semana passada, que os dois lados têm duas horas para gerir as últimas declarações, as refutações e ainda o momento de reconvenção, ao qual a ré tem direito.

Até lá, continuou-se, ao 20.º dia de julgamento, a ouvir as testemunhas de Amber Heard: a primeira a responder às perguntas do advogado da actriz foi o cirurgião ortopédico Richard Moore, de Wilmington, Carolina do Norte. O médico considerou que a lesão no dedo de Depp é consistente com um esmagamento e não com uma explosão de vidro, como relatado pelo actor. O clínico disse ter revisto várias provas neste caso, incluindo o depoimento de Depp sobre os seus ferimentos, registos médicos, fotografias e radiografias.

No contra-interrogatório, conduzido pela advogada de Depp, Camille Vasquez, Moore esclareceu que se sentia confiante de que poderia excluir “a lesão causada pelo mecanismo descrito no testemunho do sr. Depp”, que neste caso era uma garrafa de vodka que Heard lhe teria atirado. No entanto, depois de pressionado, o clínico admitiu: “Não posso excluir que uma garrafa de vodka tenha causado o ferimento”. Mas insistiu: “Posso excluir que tenha sido causado da forma descrita no testemunho [de Johnny Depp]”.

O psiquiatra David Spiegel avaliou que Johnny Depp “tem comportamentos que são consistentes com alguém que tem reacções relacionadas com o abuso de substâncias, bem como com alguém que é um agressor doméstico" Steve Helber/Pool via REUTERS
O cirurgião ortopédico Richard Moore considerou que a lesão no dedo de Depp é consistente com um esmagamento e não com uma explosão de vidro, como relatado pelo actor Steve Helber/Pool via REUTERS
Kathryn Arnold declarou que Amber Heard só manteve o seu papel no Aquaman 2 porque Jason Momoa foi inflexível Steve Helber/Pool via REUTERS
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Posteriormente, foi ouvida a opinião do psiquiatra David Spiegel, apresentado pelos advogados de Amber Heard como uma testemunha técnica. Spiegel, um especialista em vícios e em casos de violência doméstica, avaliou que Johnny Depp “tem comportamentos consistentes com alguém que tem reacções relacionadas com o abuso de substâncias, bem como com alguém que é um agressor doméstico”.

De acordo com Spiegel, o consumo excessivo de álcool e cocaína afectou a capacidade de atenção e memória de Depp, ao ponto de o actor exigir que as suas falas lhe sejam ditadas através de um auricular.

No entanto, a equipa jurídica de Depp questionou a ética e a credibilidade das opiniões do psiquiatra, uma vez que nunca realizou um exame ao actor. O médico justificou-se, alegando ter tentado o encontro, ao qual o artista se recusou.

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Seguiu-se a consultora da indústria do entretenimento Kathryn Arnold, que declarou que Amber Heard só manteve o seu papel em Aquaman 2 porque Jason Momoa foi inflexível. Ainda assim, explicou a também ex-produtora de Hollywood, a parte da actriz foi “radicalmente reduzida” após as acusações formalizadas por Johnny Depp.

Segundo a especialista, por causa deste caso, a reputação de Amber Heard tem sido “muito negativa” entre o público. Isso, explicou, significa que, em Hollywood, onde “gostam do seu trabalho”, de cada vez que o seu nome é mencionado “a negatividade se reacende”. De acordo com Kathryn Arnold, a actriz, por causa deste caso, já terá perdido entre 45 e 50 milhões de dólares (42,1 a 46,8 milhões de euros).

Kate Moss, a testemunha de Depp “convidada” por Heard

Ao longo do resto da semana, é expectável que a equipa de Johnny Depp, que iniciou esta segunda-feira com mais dez horas por usar do que a de Amber Heard, chame novos testemunhos a tribunal para refutar o caso apresentado pela actriz, entre os quais poderá vir a estar o da supermodelo Kate Moss. A decisão de chamar Kate Moss, com quem o actor teve um relacionamento nos anos de 1990, surgiu depois de Amber Heard se ter referido à ex-namorada de Depp durante o seu testemunho.

Durante as suas declarações, a 5 de Maio, Heard recordou episódios em que Depp terá sido violento na relação. Numa descrição de uma discussão entre os dois, a actriz mencionou Moss, que namorou com Depp de 1994 a 1997. A referência foi a um rumor de que Depp tinha empurrado Moss por um lanço de escadas nos anos 90. Mas, na época, nenhum dos dois confirmou o boato e consta que o par manteve uma boa relação depois de cada um ter seguido caminhos diferentes.

Assim que Amber Heard se referiu a esse passado suposto incidente, o advogado de Johnny Depp reagiu, por um lado, surpreso e, por outro, vitorioso. Já Depp, sem levantar os olhos, abanou a cabeça, sorrindo. A satisfação de ambos tem uma razão: ao trazer o nome de Kate Moss para o seu testemunho, a actriz abriu a porta para que a ex-modelo seja chamada a depor, o que poderá resultar a favor do actor.

No entanto, há mais boas notícias para Johnny Depp, que ainda há menos de dois anos saiu de um tribunal de Londres com o rótulo de “espancador da mulher": nos últimos dias, o actor recebeu o apoio da presidente da organização não-governamental Mission, sediada em Itália e que apoia mulheres e crianças em todo o mundo, defendendo os seus direitos e protegendo-as de abusos físicos, sexuais e psicológicos, através da educação e activismo. Valeria Altobelli escreveu que, “com o mais profundo respeito pelas vítimas de abusos domésticos, que, temos de dizer por uma questão de honestidade intelectual, são, em geral, mulheres, sentimos que devemos expressar, como mulheres, como mães, como livres pensadoras, a nossa compaixão por Johnny Depp”.

Johnny Depp está a processar Amber Heard por difamação, depois da publicação de um artigo no The Washington Post em que a actriz se identificou como uma sobrevivente de abusos. O actor exige uma compensação de 50 milhões de dólares (46,8 milhões de euros), alegando ter perdido trabalhos por causa da acusação que descreve como falsa. Por seu turno, Amber Heard contra-atacou com um processo de difamação de 100 milhões de dólares (93,6 milhões de dólares), argumentando que Depp a difamou ao chamar-lhe mentirosa.

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