Cheira a Lisboa: a Rainha da Festa está de volta às brasas

As Festas de Lisboa ressurgem nas ruas da capital passado dois anos sem celebrações e já se conhecem as sardinhas vencedoras do concurso criativo.

Sardinha Portuguesa em conserva
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Sardinha Portuguesa em conserva Sofia Almeida
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Pixel Salvador Almeida, EB1 de Travassô - Agueda
Sardilate
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Sardilate Domingos do Ó
Gato Sardinha
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Gato Sardinha Faith Aksular
A Grelha
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A Grelha Bruno (Pintorabiscos)
Sardinha Luminosa
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Sardinha Luminosa Helder Teixeira Peleja

Passados dois anos de suspensão devido à pandemia de covid-19, as Festas de Lisboa regressam à capital. E, por isso, as rainhas da Festa estão de volta. Das inúmeras candidaturas recebidas de todo o mundo, já são conhecidas as seis sardinhas vencedoras da 12ª edição do concurso criativo promovido pela EGEAC, a empresa municipal de cultura, que pretende, este ano, celebrar os 100 anos do Parque Mayer.

As sardinhas galardoadas são de origem portuguesa - excepto uma, que vem da Turquia - e representam “um universo criativo sem fronteiras”, o mote da competição. Um dos vencedores, Domingos de Ó, 18 anos, do Pragal, concebeu “Sardilate”, uma ideia que já imaginava desde pequeno e pôs em prática no concurso deste ano. Helder Teixeira Peleja, 43 anos, participa já há vários anos no concurso. No entanto, apenas este ano, uma hora antes do final e sem quaisquer expectativas, o ilustrador desenhou a “Sardinha Luminosa”, inspirado pelos reclames luminosos característicos do centenário Parque Mayer. Todas as sardinhas reflectem a diversidade do mundo criativo: umas são gatos que adoram sardinhas, que talvez se queiram tornar uma, e talvez consigam, umas são conservas e outras, a grelha que passa a sardinha à brasa quente.

Como na última edição, o concurso alargou-se às escolas e elegeu a Escola EB1 de Travassô, em Águeda, escolhida pelo júri da Turma da Sardinha, que atribuiu ainda menções honrosas a três sardinhas escolares. Esta edição do concurso recebeu 1594 candidaturas, provenientes de 39 países, como a Ucrânia, a Bielorrússia, China, Marrocos, entre outros países. Os seis vencedores recebem um prémio no valor de mil e quinhentos euros.

O resultado do concurso é um dos pontapés de partida da animação nas ruas de Lisboa em Junho. “We’re back, e não nos vamos embora”, exclamou o presidente da Câmara, que participou na apresentação do programa das festas, salientando a importância da cidade se manter aberta.

Questionado sobre o aumento do número de casos de covid-19, Carlos Moedas, sublinha que os casos de hoje não são comparáveis com as vagas anteriores. “Temos de nos proteger, mas estamos numa fase muito diferente”, defendendo que foi dado um “salto enorme em termos científicos com as vacinas”, o que justifica o regresso das festas. Garante ainda que, caso o Governo decida implementar medidas de prevenção, que as irá respeitar. Mas que, até lá, é importante que Lisboa se mantenha aberta.

Celebrar a capital de todos e para todos

O vereador da Cultura, Diogo Moura, descreve as festas como um “encontro de várias expressões artísticas e culturais” numa cidade “cosmopolita que integra todos”, para todas as culturas e “todos os que a visitam”. Já Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC, afirmou que as comemorações são um “acto de resistência” que está “consciente do que está a acontecer” no mundo. Acontecimentos que definiram o lema do concerto de abertura “O que nos Une”, de Tito Paris, a ocorrer no dia 28 de Maio, nos jardins Torre de Belém, às 22h. A acompanhar o artista estarão também em palco Cremilda Medina, Joana Amendoeira, Paulo Gonzo e Djodje. O evento será também uma celebração dos 40 anos de carreira do cantor cabo-verdiano.

Arrancam, de 3 a 5 de Junho, as primeiras exibições das Marchas Populares, na Altice Arena, a partir das 21h. No dia 12, estas voltarão a descer a avenida da Liberdade. E no dia 9, 10 e 11 de Junho, várias zonas da cidade serão invadidas por órgãos do corpo humano, um espectáculo da companhia Snuff Puppets.

Já no Castelo de São Jorge, regressam as noites de fado nos dias 17 e 18, com o fadista Ricardo Ribeiro, acompanhado pelo pianista de jazz João Paulo Esteves da Silva. Teresinha Landeiro apresentará o seu álbum mais recente “Agora”, em dueto com Mimi Froes e Agir. No mesmo dia, terá lugar no Palácio Pimenta o evento Lisboa Mistura que pretende dar visibilidade às diferentes culturas, num momento de construção de alegria e resistência. No dia 25, na Praça do Comércio, comemora-se o Arraial Lisboa Pride a partir das 16h. Cinco dias depois, a 30, começa a festa do cinema ao ar livre, o CineConchas, no jardim da Quinta das Conchas.

O programa é vasto e inclui, como não podia deixar de ser, os inevitáveis arraiais. O concerto de encerramento “Cheira a Lisboa” será na Praça do Comércio e junta os maiores êxitos da música portuguesa interpretada por várias vozes portuguesas, como Anita Guerreiro, António Calvário ou José Viana. O espectáculo celebra os 100 anos do Parque Mayer, onde se irão cruzar as histórias do recinto de teatros de revista e da cidade de Lisboa.

Texto editado por Ana Fernandes

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