Entre o caos no meio do apocalipse irradia a luz de Leo Fazio

Paranoia, segundo álbum do brasileiro Leo Fazio, toma o pulso ao seu tempo e à sua cidade, São Paulo, e tanto se aterroriza com o que sente como descobre salvação no amor, no sexo, na comunidade. Álbum fantasma largado no bulício da cidade, álbum para o fim dos tempos, álbum denso e intenso, magnífico.

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“Não via o fim do poço e com este processo consegui sair para outro lugar”, dizia Leo Fazio ao Ípsilon há três anos, quando editou Sangue Pisado & A Música do Século XXI, álbum surpreendente em que ecos da Tropicália, ou seja, ecos da antropofagia proposta pelo modernismo brasileiro, se moldavam a um outro tempo, ano 2019, e a um lugar, a cidade grande e sufocante, opressora e libertadora em igual medida que é São Paulo. “Peguei nos cacos que estavam todos jogados no chão, reconstruí e renasci”, explicava ele então, naquela voz grave, rouca e granulada que é também a que ouvimos quando canta e que serve tão perfeitamente a música que compõe.

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