IGCP coloca 1,5 mil milhões em dívida, metade a juros positivos

Procura superou, em média, duas vezes o montante colocado. No prazo de 12 meses, juros são positivos à taxa média de 0,236%. A seis meses a taxa continua negativa, mas superior ao registado em Março, quando foram colocados 500 milhões de euros em BT com a mesma maturidade.

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Cristina Casalinho, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) Daniel Rocha

Portugal colocou esta quarta-feira 1500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT), montante mínimo indicativo, a seis e a 12 meses, a juros mais altos nos dois prazos e no mais longo com taxa já positiva, foi anunciado.

Segundo a página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na agência Bloomberg, em BT com maturidade em 19 de Maio de 2023 (12 meses) foram colocados 875 milhões de euros à taxa de juro média de 0,236%, superior à de -0,467%, registada em 16 de Março, quando foram colocados 1250 milhões de euros.

A procura de BT a 12 meses atingiu 1440 milhões de euros, 1,65 vezes o montante colocado.

No prazo mais curto, de seis meses, foram colocados hoje 625 milhões de euros à taxa de juro média de -0,179%, superior à de -0,571% verificada também em 16 de Março, quando foram colocados 500 milhões de euros em BT com a mesma maturidade.

A procura de BT a seis meses cifrou-se em 1450 milhões de euros, 2,32 vezes o montante colocado.

O IGCP tinha anunciado a realização de dois leilões de BT a seis e a 12 meses, com um montante indicativo global entre 1500 e 1750 milhões de euros.

“A era das taxas negativas parece estar a chegar ao fim, o que não é necessariamente negativo”, reagiu Filipe Silva, do Banco Carregosa, em comentário enviado às redacções. “Portugal precisa de gerir de uma forma mais cautelosa, o novo custo que começa a ter para a sua dívida, para que tal não se torne outra vez num problema a prazo”.

“As subidas dos prémios de risco que temos assistido nas últimas semanas tanto na dívida soberana como na dívida das empresas são fruto das condicionantes actuais e que muita pressão têm colocado sobre os bancos centrais”, explica o director de investimento do banco.

“Com uma presença menos activa do Banco Central Europeu do lado comprador, era espectável que as taxas subissem, o ritmo a que tudo está a acontecer é que está a ser mais rápido do que se esperava, e quando tal acontece, o mercado ajusta fortemente até atingir novo ponto de equilíbrio”.

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