Cristèle Alves Meira: “Não preciso de acreditar em bruxas porque sei”

Escapar a Trás-os-Montes para filmar Trás-os-Montes. O cinema entrou na vida desta realizadora luso-francesa dessa forma, como possibilidade de libertação. A dimensão fantasmática e íntima é explícita em Alma Viva, o filme com que se estreia na longa-metragem, esta quarta-feira, na Semana da Crítica do Festival de Cannes.

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Cristèle Alves Meira filma um território que a viu nascer: Trás-os-Montes DR

A primeira portuguesa em Cannes, dos cinco cineastas que figuram este ano em várias secções do festival, é Cristèle Alves Meira. A realizadora de 39 anos, luso-francesa, já por duas vezes passou pela Semana da Crítica, com as suas curtas-metragens Campo de Víboras, de 2016, e Invisível Herói, de 2019. Mas Alma Viva, que o festival exibe em primeira mão esta quarta-feira, é uma estreia: uma primeira longa. Que será talvez ponto de chegada de uma obra, condensado do que ficou atrás (onde ainda existe outra curta, Sol Branco, de 2014). Por causa de um mesmo território, Trás-os-Montes. Pelas personagens femininas entre a fidelidade aos seus fantasmas e o desejo de fuga (sinopse: uma miúda, Salomé, regressa todos os anos a Portugal, vinda de França, para passar férias com a avó; certa noite, assiste à sua morte e, possuída por uma força incontrolável, quase mata a vizinha, de quem suspeita, sendo então acusada de bruxaria). Pela ambição de lidar com um elenco heteróclito, de profissionais e não profissionais.

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