Glória e agonia do Cineclube do Porto, “uma casa de resistência”

Nascido há 77 anos, o Cineclube do Porto formou gerações de cinéfilos e foi segunda casa de muitos. Livro coordenado por Manuel Vitorino reúne histórias e memórias das sessões clandestinas que afrontavam a PIDE, da luta pela liberdade, dos dias difíceis. E futuro para o Cineclube, ainda há?

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Manuel Vitorino é o coordenador do livro A Vida é um Filme, que conta a história ainda desconhecida do Cineclube do Porto Paulo Pimenta

No arquivo de Manuel Vitorino, cinéfilo incurável e orgulhoso cineclubista por muitos anos, acumulavam-se fragmentos de uma “história por contar”. O jornalista reformado, e historiador de formação, sabia ter nas estantes de casa material precioso: livros, revistas, recortes de jornais, documentos, fotografias, incontáveis programas de sessões cinematográficas. Sabia, acima de tudo, guardar uma narrativa arredada de cronologias oficiais ou feitas pela metade sobre o Cineclube do Porto. Com a vontade de “escavar mais fundo” – e este arquivo pessoal como ponto de partida –, Manuel Vitorino fez nascer o livro A Vida é um Filme – Histórias e Memórias do Cineclube do Porto (Edições Afrontamento). Coordenada por si, a obra reúne textos de várias personalidades cujas vidas se entrelaçaram com a desta instituição portuense: crónicas sobre cinema, a instituição, memórias mais ou menos pessoais, homenagens (Henrique Alves Costa merece destaque). O “mérito”, orgulha-se Vitorino, foi pôr no papel o que estava “debaixo do tapete”. Com emoção, mas “sem sectarismos”.

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