Palcos da semana

A missão dos Kings of Convenience é espalhar Peace and Love; a dos Einstürzende Neubauten, minar convenções. Aveiro assume-se como destino da música electroacústica. Lisboa reencontra-se com Faust na ópera e, no teatro, pede que Não Me Faças Perder Tempo.

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Os Einstürzende Neubauten vêm dar três concertos Mote Sinabel
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A ópera Faust regressa ao São Carlos António Pedro Ferreira/TNSC
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O álbum Peace and Love, a editar em Junho, motiva os concertos dos Kings of Convenience Salvo Alibrio
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O Teatro Aberto estreia Não Me Faças Perder Tempo Filipe Figueiredo
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Nuno Aroso participa na Síntese - Bienal de Música Electroacústica Francisco Ferreira

Homens demolidores

Blixa Bargeld foi visitando Portugal com outros projectos, mas os seus Einstürzende Neubauten mantiveram-se relativamente ao largo: salvo a passagem pelo Primavera Sound, em 2015, não actuavam por cá desde 2008 em nome próprio. Esta é só mais uma nota a adicionar à já grande expectativa que paira sobre o reencontro com o colectivo berlinense, que foi sendo adiado pela pandemia. Outra é o disco que motiva a presente digressão, intitulada The Year of the Tiger Tour. Lançado em 2020, em plena celebração de 40 anos de banda, Alles in Allem rompeu uma longa ausência dos escaparates e trouxe mais uma lição de como minar os alicerces das convenções. Mas a atracção maior reside no histórico de performances demolidoras – por vezes, literalmente (já foram vistos a perfurar o palco) – deste grupo-mecanismo de culto que se finca no chamado rock industrial para (des)construir sons desconcertantes, em tom vanguardista e mutante, numa cadência que pode envolver tubos, compressores, metais maltratados, engrenagens e silêncio – sem esquecer o carisma de Bargeld e comparsas.

De corpo e alma (vendida)

Treze anos depois da última aparição no São Carlos, Faust regressa ao palco do teatro nacional, numa produção da Ópera de Las Palmas de Gran Canaria, com encenação de Alfonso Romero Mora e direcção musical de Antonio Pirolli. Ao coro da casa e à Orquestra Sinfónica Portuguesa junta-se um trio de protagonistas com relevo em cenários internacionais: o tenor sul-coreano Mario Bahg no papel titular, a soprano russa Irina Lungu como Marguerite e o baixo espanhol Ruben Amoretti a encarnar Mefistófeles. André Baleiro, Cátia Moreso, Patrícia Quinta e Luís Rodrigues completam o elenco vocal. Estreada em 1859, em Paris, a ópera de Charles Gounod baseia-se na obra de Goethe, que por sua vez se inspirou na clássica lenda germânica do homem que vende a alma ao demónio em troca de sabedoria. O libreto é da autoria de Jules Barbier e Michel Carré.

Faust António Pedro Ferreira/TNSC
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António Pedro Ferreira/TNSC

Peace and Love com os reis

Capazes de sequestrar atenções e ouvidos até num festival de música electrónica – facto verificado num longínquo Verão no Meco –, os Kings of Convenience têm esse dom de fazer divagar pela subtileza de vozes e guitarras de suaves melodias folk-pop. Eirik Glambek Boe e Erlend Oye, os cantautores noruegueses que em tempos foram apelidados de “os novos Simon & Garfunkel”, retornam a palcos lusos a um mês de renovarem o seu movimento acústico com um novo álbum, Peace and Love.

Quatro minutos para fazer match

A urgência dos afectos, a solidão, o medo de perder tempo, a dúvida sobre o que será a “pessoa certa”. Tudo isto se manifesta na peça que Luís António Coelho escreveu, que o Grande Prémio de Teatro Português galardoou em 2020 e que o Teatro Aberto se prepara para estrear. Com encenação e dramaturgia de Rui Neto, Não Me Faças Perder Tempo leva essas coordenadas ao extremo quando assume um formato entre o reality-show e o speed dating, qual versão ao vivo de uma aplicação de encontros. Em cena estão quatro homens (Daniel Viana, João Tempera, Luís Gaspar e Telmo Ramalho) e outras tantas mulheres (Beatriz Godinho, Katrin Kaasa, Leonor Seixas e Rita Cruz) que têm exactamente quatro minutos para interagir com cada candidato/a ao amor. Se farão match ou não, é outra conversa.

Não Me Faças Perder Tempo (foto de ensaio) FILIPE FIGUEIREDO
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FILIPE FIGUEIREDO

Síntese instalada

O espectáculo multimédia Joanna Bailie na Tela abre a Síntese, a bienal aveirense para onde convergem os novos rumos da música electroacústica, com direito a uma profusão de obras em estreia nacional ou absoluta. Depois desse concerto (o primeiro dos nove que compõem esta quinta edição), são inauguradas duas instalações que ficam patentes até ao final. Uma é assinada por Carlos Santos; a outra, por Bailie, compositora inglesa que marcará presença também como autora de algumas das obras interpretadas ao longo do festival. Tiago Coimbra, Jonathan Silva, Nuno Aroso, Margarida Lamelas & Francisco Martins, o grupo ars ad hoc e a Orquestra das Beiras são outros dos convocados.

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