Ontem os amanhãs não cantaram: Sita Valles

A história de Sita Valles, activista angolana morta aos 25 anos de idade, é redescoberta por Margarida Cardoso num documentário inteligente e sólido, mesmo que algo disperso.

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Para um filme cujo programa está todo no título — “a vida e o tempo de Sita Valles” — talvez o que seja mais peculiar no documentário de Margarida Cardoso seja a irredutibilidade da figura que está no seu centro. Indissociável do seu papel como activista envolvida no combate ao regime colonial salazarista e posteriormente na reconstrução de Angola pós-25 de Abril, activista, mulher, idealista, vítima, mártir, “dano colateral”, Sita Valles, morta com apenas 26 anos de idade pelo governo de Agostinho Neto no meio das convulsões políticas despontadas pela tentativa de golpe de estado de 27 de Maio de 1977, mantém-se um mistério ao longo destas três horas. Existem imagens, sim, mas não sons da sua voz; o retrato que dela Margarida Cardoso constrói minuciosamente é todo feito através das recordações de familiares, amigos, colegas, compagnons de route, cartas, relatórios, fotografias, arquivos.

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