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Na Bolívia, ler livros dá menos tempo de prisão

Jaqueline e uma colega reclusa lêem um livro na prisão onde têm acesso a uma pequena biblioteca como parte de um programa que visa difundir a alfabetização e oferecer a oportunidade de sair mais cedo da prisão, em La Paz, Bolívia Reuters/CLAUDIA MORALES
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Jaqueline e uma colega reclusa lêem um livro na prisão onde têm acesso a uma pequena biblioteca como parte de um programa que visa difundir a alfabetização e oferecer a oportunidade de sair mais cedo da prisão, em La Paz, Bolívia Reuters/CLAUDIA MORALES

Os reclusos nas prisões sobrelotadas da Bolívia podem agora ler livros para reduzir o tempo passado atrás das grades, num novo programa influenciado por um outro no Brasil que tem como objectivo promover a alfabetização e dar esperança, apesar da lentidão dos processos judiciais.

O programa estatal Livros atrás das Grades dá aos detidos uma oportunidade de saírem da prisão dias ou semanas antes da data de libertação. Na Bolívia, não existe prisão perpétua ou pena de morte, mas a prisão preventiva pode durar muitos anos devido à morosidade do sistema. O programa foi lançado em 47 prisões que não têm recursos para pagar programas de educação, reintegração ou assistência social aos reclusos, diz o gabinete da Provedoria de Justiça do país.

Até agora, 865 reclusos estão já a melhorar as suas capacidades de leitura e escrita. Jaqueline, por exemplo, já leu oito livros num ano e passou em quatro testes de leitura. “É realmente difícil para pessoas como nós, que não têm rendimentos nem família lá fora, disse. Há pessoas aqui, por exemplo, que estão a aprender a ler e a escrever.

A intenção, diz a Provedora de Justiça, Nadia Cruz, é encorajar quem aguarda julgamento. "Isso é importante porque o que é reduzido (nas sentenças) é relativamente pouco, são horas ou dias em alguns casos, dependendo do que a direcção decidir, disse à Reuters. Com um salário diário de 8 bolivianos (1,10 euros), os reclusos vêem-se obrigados a trabalhar para poderem comer e pagar as elevadas despesas judiciais para saírem em liberdade.

Há muito que as prisões do país estão sobrelotadas e apresentam condições insalubres, com alguns reclusos a organizar protestos por causa da falta de cuidados de saúde, de acordo com a Human Rights Watch. No meio destas dificuldades, aprender a ler pode ser como escapar aos muros da prisão, pelo menos na mente, disse Mildred, uma reclusa na prisão feminina de Obrajes, na cidade montanhosa de La Paz. "Quando leio, estou em contacto com todo o universo. Os muros e as grades desaparecem.”

Mildred organiza livros na pequena biblioteca da prisão
Mildred organiza livros na pequena biblioteca da prisão Reuters/CLAUDIA MORALES
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Jaqueline lê um dos livros na biblioteca
Jaqueline lê um dos livros na biblioteca Reuters/CLAUDIA MORALES
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Mildred organiza livros
Mildred organiza livros Reuters/CLAUDIA MORALES
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Jaqueline dirige-se à cozinha com um dos livros da biblioteca
Jaqueline dirige-se à cozinha com um dos livros da biblioteca Reuters/CLAUDIA MORALES
Mildred dirige-se a uma aula de autodefesa, com um livro
Mildred dirige-se a uma aula de autodefesa, com um livro Reuters/CLAUDIA MORALES
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Uma reclusa escolhe ler a Bíblia
Uma reclusa escolhe ler a Bíblia Reuters/CLAUDIA MORALES