Onde é que já vi, li, ouvi ou joguei isto? Este é o tempo da “cultura da adaptação”

Uncharted, adaptação de um videojogo, foi o filme mais visto nas últimas semanas em todo o mundo. Vêm aí Atracção Fatal e Grease, versão série. Hollywood está a explorar os podcasts. Se tem sucesso e é reconhecível, vai parar a uma TV, ao streaming ou ao cinema: a procura por livros, jogos e podcasts para adaptar aumenta, mas já não é uma via de sentido único.

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Tom Holland Sophia Taylor Ali em "Uncharted" Clay Enos/Columbia Pictures

Há duas semanas que o filme mais visto em Portugal (e no mundo) é Uncharted, que parece um filme de aventuras à moda de Indiana Jones, mas é a adaptação de um videojogo de enorme sucesso. Entretanto, deverá estar a ser destronado por The Batman, uma personagem com tantas encarnações cinematográficas e televisivas desde o seu nascimento nos comics que é quase um exemplo acabado do eterno retorno da cultura pop aos lugares onde já foi (in)feliz. Em Fevereiro, a Paramount anunciou pelo menos sete séries que resultam de adaptações — dos livros de Patricia Highsmith, dos filmes Atracção Fatal ou Grease ou de videojogos incontornáveis como Halo —, e também bem mais de 25 títulos como Missão: Impossível, Star Trek ou Spongebob, baseados em livros e séries de TV. Entretanto, os podcasts são uma mina de ouro de onde brotam mais e mais séries e filmes. Esta “cultura de recombinação e adaptação” existe há muito, avisa o académico Robert J. Thompson, mas nunca foi tão porosa — e acelerada. A culpa, claro, é da Internet. Mas pode não ser (só) algo negativo.

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