Fogo fez temer desastre na central nuclear de Zaporizhzhia. Níveis de radiação “sem alteração”

O fogo atingiu um edifício de formação e um laboratório, “fora da central nuclear”. O Presidente da Ucrânia acusou Moscovo de recorrer ao “terror nuclear”.

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Imagens da central de Zaporizhzhya durante a madrugada de sexta-feira Reuters/Zaporizhzhya NPP

Um incêndio deflagrou na central nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, durante a madrugada de sexta-feira, e depois da aproximação de tropas russas. O fogo fez temer um desastre, mas a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o órgão de vigilância das Nações Unidas, disse que o regulador ucraniano não reportou qualquer alteração nos níveis de radioactividade na central, a maior do seu género na Europa e responsável por um quarto da energia da Ucrânia.

O fogo “não afectou equipamentos essenciais” e o pessoal da central está a tomar medidas de mitigação, divulgou a AIEA, na rede social Twitter, às 2h25, depois de receber informações do regulador ucraniano.

A informação foi confirmada por ​Andriy Tuz, porta-voz da central que dizia que não havia perigo de fugas de radiação. “Exigimos que parem os disparos com armas pesadas. Há uma ameaça real de perigo nuclear na maior central da Europa”, apelou, notando que os bombeiros estavam a ter dificuldades em chegar ao incêndio, por causa dos combates.

Horas antes, o director da AIEA Rafael Grossi tinha pedido às tropas russas junto da central um cessar-fogo e para se absterem de violência. Mas a situação parece ter-se deteriorado e por volta da meia-noite chegou um alerta do presidente da câmara de Enerhodar, a cidade vizinha da central nuclear, dando conta de que havia um incêndio na central, numa publicação no serviço de mensagens encriptadas Telegram. “Como resultado do contínuo bombardeamento de edifícios e unidades da maior central nuclear da Europa, a central nuclear de Zaporizhzhia está a arder”, escreveu Orlov no seu canal Telegram descrevendo a situação como uma “ameaça à segurança global”.

O Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia informou, mais tarde, que o fogo atingiu um edifício de formação e um laboratório, “fora da central nuclear”. Numa mensagem colocada na plataforma Telegram, o serviço acrescentou que o sistema de energia da uma das unidades da central foi desligado como prevenção.

Após o fogo, o Presidente da Ucrânia acusou Moscovo de recorrer ao “terror nuclear” e de “querer repetir” a catástrofe de Tchernobil, acusando os russos de bombardearem a central. “Alertamos todo o mundo para o facto de que nenhum outro país além da Rússia alguma vez disparou contra centrais nucleares. Esta é a primeira vez na nossa história, a primeira vez na história da Humanidade. Este Estado terrorista recorreu agora ao terror nuclear”, afirmou Volodimir Zelensky, num vídeo difundido pela presidência ucraniana.

Zelensky falou também com o Presidente norte-americano, Joe Biden, que apelou também a que a Rússia pare toda a actividade militar na área para que os serviços de emergência possam aceder ao local.

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