O teatro é que o acontece no palco do Cão Solteiro

Na sua sexta colaboração com o artista plástico Vasco Araújo, a companhia Cão Solteiro leva à cena Doismilevinteedois no Teatro São Luiz. Entre esta terça-feira e 19 de Fevereiro, é tempo de pensar o que o teatro ainda pode tentar ser.

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Em "Doismilevinteedois" tudo pode acontecer – menos personagens ou textos decorados joana dilão

Não há chão. É a primeira coisa que se pensa quando se vê o palco do Teatro São Luiz esventrado, aberto para se perceber que espectáculo a companhia Cão Solteiro e o artista plástico Vasco Araújo, na sua sexta colaboração, conseguirão escavar ali. Doismilevinteedois é uma criação que, antes de mais, se coloca diante do nada. Uma sucessão de pequenos nadas que são, afinal, a maneira que os criadores arranjaram para responder à situação fictícia de chegarem ao teatro, de se verem com o palco desmantelado e, em vez de virar costas e voltar para casa, perceber que formas encontram para trabalhar nestas condições. O palco desmantelado é, naturalmente, o próprio edifício do teatro. Não é o palco que coloca um problema ao Cão Solteiro; é que depois de desmontado o teatro, usando todas as ferramentas que o confirmam ou contrariam, o buraco diante do qual se vêem é esse – o que fazer quando já não há (ou parece não haver) mais avesso para virar?

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