Uma capa festiva, de exuberantes caracteres. Sim. 

Entre hoje e dia 20, sete cineastas portugueses revelam cinco longas e duas curtas num festival de Berlim de regresso às salas. Festivais online, filmes adiados, projectos suspensos ou improvisados — e contudo o cinema português de autor continua a dar cartas, a existir, a seduzir programadores, críticos, cinéfilos.

Os nomes estão aí. Jorge Mourinha, nosso enviado a Berlim, escreve os perfis e conta o que vamos ver.

 

O tira-teimas, ou a confirmação, em relação a duas bandas de que se fala: Yard Act e Black Country New Road. São parte de uma multifacetada nova vaga de bandas britânicas, onde se incluem os black midi, os Porridge Radio, os Dry Cleaning, filhas do Brexit e da precariedade e praticantes de um rock, sem amarras estéticas, que assumem como experiência comunitária e veículo de agitação social.

Vítor Belanciano ocupa-se da primeira, Mário Lopes da segunda.

 

Agora a consagração de uma das bandas mais mordazes e interessantes do punk rock português moderno (segundo Daniel Dias). Deixem passar a dupla formada por Manuel Molarinho e Ricardo Cabral, os Baleia, Baleia, Baleia. Suicídio Comercial é o disco.

 

Livro de fotografias e textos, Lisboa Cliché conta-nos uma história entre a ficção e a realidade. A da descoberta de uma cidade, da fotografia e da vida, na companhia de Daniel Blaufuks, entre 1987 e 1993. Quando ele, jovem artista, se entregou a uma Lisboa em transformação. E os dias começavam na noite e acabavam ao amanhecer.

Conversa, com José Marmeleira, aqui...

 

Last but not the least a conversa de Isabel Lucas com Anne Applebaum. O motivo seria a reedição em Portugal do seu "clássico" Gulag, uma História, que lhe valeu o Pulitzer. Mas essa reedição chega numa altura de grande tensão no território em que a jornalista se especializou, o da ex-URSS, e que a levou a escrever esta semana um artigo na revista Atlantic segundo o qual, ao ameaçar invadir a Ucrânia Vladimir Putin está a querer que a democracia falhe. É o medo da democracia, diz.

A jornalista defende essa ideia à luz das relações entre os dois países e da História recente da Rússia, onde Putin ganhou estatuto de todo-poderoso.

Como comentário final diria que é para isto - inteligência, lucidez, pedagogia, exercício da cidadania - que os jornais servem. Vocês dirão, lendo aqui...

 

 

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