Anthony Doerr: “O artista não é responsável se não fizer perguntas sobre alterações climáticas”

A ambição é a de conseguir captar a música da Odisseia e reconquistar o espanto com que se olham pela primeira vez as coisas do mundo. Em Uma Cidade nas Nuvens, Anthony Doerr, Pulitzer em 2015 com Toda a Luz que Não Podemos Ver, escolhe a fantasia para escrever sobre aquele que considera o tema mais urgente da actualidade.

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Raphaël GAILLARDE/Gamma-Rapho via Getty Images

Virado para a câmara, o homem não pára de se movimentar no espaço à sua volta. Pega em livros, papéis cheios de notas, mapas desenhados a esferográfica com estruturas das histórias que escreveu. O fundo da sala é de madeira, há prateleiras com livros e entra uma luz por uma janela que não está à vista e deixa pouco lugar para sombras. Mexe os braços. Inclina-se sobre o ecrã. Ri, sorri, numa total ausência de inexpressividade e sempre a gesticular enquanto fala, e quase sempre com frases longas. Anthony Doerr conversa de pé durante mais de uma hora sobre o seu último romance, Uma Cidade nas Nuvens, editado em Portugal pela Presença. É o livro que se segue a Toda a Luz Que Não Podemos Ver, original de 2014, finalista do National Book Award, vencedor do Pulitzer em 2015, o título que confirmou o que a Granta tinha projectado: era um dos jovens mais promissores da literatura americana.

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