Daniela Thomas: ”Era-nos muito cara a ideia do exílio como busca da identidade”

Veio a Lisboa na mesma altura em que cá se estreou,com 26 anos de atraso, Terra Estrangeira, filme que rodou a meias com Walter Salles. Recordou memórias da Lisboa pré-Expo 98, pré-gentrificação, e de como se materializou o encontro das personagens, dois brasileiros que no exílio buscavam a sua identidade. Olha agora para a cidade: “Para onde foram os negros?”.

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Daniela Thomas veio a Lisboa na mesma altura em que cá se estreia, 26 anos depois (é um filme de 1996) Terra Estrangeira, o seu primeiro filme, rodado a meias com Walter Salles. Veio pelo seu trabalho de cenógrafa, trabalhar numa ópera para o Centro Cultural de Belém, mas não podia deixar de aproveitar a coincidência para acompanhar a exibição do filme de estreia, e logo na cidade em que foi, em grande parte, rodado. Em conversa com o Ípsilon, recordou memórias da preparação e da rodagem, numa Lisboa pré-Expo 98, pré-gentrificação, e de como se materializou o encontro de dois brasileiros que tinham em comum “a ideia do exílio como uma busca da identidade” com uma cidade que, nesses meados dos anos 90, acolhia uma comunidade cada vez maior de brasileiros, vindos na “gigantesca vaga migratória do Brasil dos anos 90” (eram os tempos de Collor de Mello, que ao pé de Bolsonaro “parece um sujeito equilibrado”). Falou também do que mudou ao longo destes anos todos, por exemplo em Lisboa: “Dá vontade de perguntar ‘para onde foram os negros’?”.

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