Pandemia poupa serviços públicos, embora sindicatos apontem já algumas falhas

Informações oficiais enviadas ao PÚBLICO dão conta de poucos profissionais em isolamento e de serviços a funcionarem “normalmente”. Sindicatos da administração pública e Ordem dos Médicos apontam já algumas falhas.

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Só 132 bombeiros estão em isolamento Filipa Fernandez

Ao contrário do que se passa nas escolas, com quase dez mil infecções por dia entre crianças e jovens, o novo pico de casos de covid-19 parece estar a poupar serviços como o INEM, a Protecção Civil ou mesmo a administração pública.

O número de infecções subiu nesta quinta-feira para 56.426, um novo máximo. Em respostas ao PÚBLICO, o Instituto Nacional de Emergência Médica revelou que tem “31 profissionais em isolamento (por infecção ou isolamento profiláctico), destes 24 são operacionais” e a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil indicou que, neste momento, há “132 bombeiros que se encontram em isolamento profiláctico”.

Da GNR vem a informação de que, à data de 17 de Janeiro, tem registo de 179 casos activos de covid-19 entre os seus militares e civis. Os ministérios do Trabalho e da Segurança Social e da Modernização do Estado e da Administração Pública garantem que os serviços estão a funcionar com “normalidade”, mas os sindicatos não corroboram.

A PSP não respondeu e o mesmo aconteceu com a Direcção-Geral de Saúde sobre a situação entre o pessoal dos hospitais e dos centros de saúde. Também o Ministério da Educação não dispõe de dados sobre os casos de isolamento entre docentes e funcionários das escolas.

Sem impacto nos meios operacionais

Vamos por partes. O INEM garante que “a incidência da covid-19 se tem mantido controlada, fruto das várias estratégias implementadas para reduzir o seu impacto no seio do instituto”. “Não existe, neste momento, qualquer meio de emergência ou serviço inoperacional devido à pandemia”, especifica.

Nesta quinta-feira, a Ordem dos Médicos divulgou uma nota onde indica ter tomado conhecimento de que “as situações de inoperacionalidade” das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação estão a crescer e a “deixarem muitos cidadãos sem acesso a uma resposta de prontidão prioritária no âmbito do suporte avançado de vida”. Na mesma nota informa-se que o bastonário da OM “já questionou o presidente do Conselho Directivo do INEM, pedindo os mapas dos últimos seis meses das VMER de todo o país”. O objectivo é “perceber o que conduziu ao agravamento da situação, bem como o que estão a fazer para restabelecer a normalidade.”

Com apenas 132 bombeiros em isolamento, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil garante que “não se verifica qualquer impacto na actividade operacional diária”. Nas escolas, a operação de testagem de professores e pessoal não docente deverá terminar esta sexta-feira. “Para já, não percebi ainda que qualquer escola tivesse atingido a linha vermelha”, indicou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima. Também o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, admite que a percentagem de professores ou funcionários positivos “não é tão elevada”, comparativamente com os alunos.

Atrasos nas prestações sociais?

Na área da Segurança Social, a Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) dá conta de dificuldades em alguns centros distritais, com atrasos no registo de prestações sociais. “Há serviços a funcionar de forma precária com um terço dos trabalhadores, porque há pessoas em teletrabalho, em isolamento ou infectadas”, adiantou José Abraão, líder da Fesap.

“Tenho a informação de que há atrasos no registo de pedidos de prestações sociais”, destacou, acrescentando que a situação foi mais notória no período em que o teletrabalho era obrigatório. Fonte oficial do Ministério do Trabalho e da Segurança Social sublinha, contudo, que “não há qualquer reporte de situações críticas na atribuição de prestações”.

“Actualmente, apenas 10% dos trabalhadores do Instituto de Segurança Social se encontram ausentes, por vários motivos: férias, doença ou isolamento pela covid-19. Os restantes estão todos a laborar”, sublinhou.

O PÚBLICO questionou o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública sobre se tem conhecimento de serviços cujo funcionamento esteja a sofrer perturbações devido ao elevado número de trabalhadores infectados ou em isolamento.

Os serviços públicos, respondeu fonte oficial, “mantêm-se a funcionar com normalidade” e apenas um serviço numa das 28 Lojas de Cidadão geridas pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA) esteve encerrado.

Os trabalhadores dos serviços públicos que funcionam nas Lojas de Cidadão continuam a ser testados semanalmente, dando conta de 5635 testes realizados em Dezembro e em Janeiro que detectaram “apenas 69 casos positivos”. “Apenas um serviço de uma destas lojas esteve encerrado durante três dias na primeira semana de Janeiro, tendo, entretanto, reaberto”, acrescenta.

Até ao final desta semana, o ministério frisa que decorrerá nova testagem. “Recorde-se que, embora a realização dos testes seja voluntária, tem-se registado uma grande adesão por parte dos trabalhadores, que se inscrevem e submetem ao teste”, destaca.

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