Rachel Cusk: “A mulher está sempre consciente da sua condição de (in)dependência”

Depois de ter reinventado a escrita do “eu” na trilogia Outline, Rachel Cusk regressa com um romance onde persiste na procura da alternativa ficcional que melhor sirva as suas indagações. Sobre arte, política, sobre o papel da mulher, sobre a linguagem. Cusk chega com Segunda Casa e só isso é motivo de celebração.

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Nuno Ferreira Santos

A imagem da mulher atacada pela sua própria escrita ficou colada ao princípio de um novo ciclo na vida e a obra de Rachel Cusk. Aparece no arranque do primeiro volume da trilogia conhecida como Outline, que em Portugal teve como título Contraluz (Quetzal, 2017], a que se seguiram Trânsito (Quetzal, 2018) e Kudos (Relógio d’Água, 2019). É o momento de silêncio de uma mulher, professora de escrita, que se anula enquanto personagem após a experiência de um choque emocional para escutar os outros. As três narrativas que daí resultam indagam acerca do valor do sofrimento, da procura da perfeição, da relação com a falha, da ideia de verdade, da evidência do fim de um tempo, do que é ser mulher. Faye, o nome da narradora, um “eu” que nem esconde nem exibe o de Cusk, personagem que é ela e não é, deu a chave a Rachel para também ela se reerguer depois da polémica causada pela publicação de Aftermath (2012), livro de memórias onde contava, ao detalhe, o fim do seu primeiro casamento.

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