Arlindo Vicente e Telo de Mascarenhas: a oposição a Salazar e o fim da “Índia portuguesa”

Arlindo Vicente e Telo de Mascarenhas encontraram-se na prisão de Caxias, no fim de 1961. Na cadeia, o primeiro desenhou e pintou retratos do segundo. Vicente vivia em Lisboa. Mascarenhas fora deportado de Goa. Tinham em comum o encarceramento por desafio à autoridade de Salazar e usarem o espaço da prisão para criar. Depois de décadas a lutar pela integração de Goa na Índia, Mascarenhas acabou por ver realizado esse facto na prisão. Foi há 60 anos.

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No canto inferior direito do desenho, o artista escreveu a lápis o lugar e a data em que o fez, tal como o seu nome: “Cadeia de Caxias/9 de fevereiro de 1962/Arlindo Vicente.” Quer o retratista, quer o retratado estavam presos na mesma cela, em 1962. Eram homens da mesma geração, mas os seus percursos, biografias e vocações não podiam ser mais diferentes. Em comum tinham uma licenciatura em Direito em Coimbra e aquilo que os levara à prisão: ambos tinham desafiado o poder de Salazar, num período histórico em que aumentava a contestação ao Estado Novo, tal como aumentava a sua repressão.

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