Presidente da Somália resolve disputa com o primeiro-ministro retirando-lhe os poderes

Farmajo justifica suspensão de Roble com investigações de “corrupção” e um membro do Governo fala em “golpe indirecto”. Rivalidade entre os dois políticos arrasta-se há meses.

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O Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed estendeu o seu mandato por dois anos, em Abril FEISAL OMAR/REUTERS

Mohamed Abdullahi Mohamed, Presidente da Somália, anunciou esta segunda-feira a suspensão do primeiro-ministro, Mohamed Hussein Roble, depois de vários meses de trocas de acusações e de uma disputa constitucional sem fim à vista.

O chefe de Estado, conhecido no país do Corno de África como Farmajo, justificou a decisão com as investigações em curso sobre a alegada apropriação fraudulenta de terra por parte de Roble.

“O Presidente decidiu suspender o primeiro-ministro Mohamed Hussein Roble e cessar os seus poderes, uma vez que está ligado a corrupção”, lê-se no comunicado divulgado pela presidência, citado pela AFP.

Em resposta, através de uma publicação no Facebook, o ministro-adjunto da Informação, Abdirahman Yusuf Omar Adala, descreveu, no entanto, a actuação de Farmajo como “um golpe indirecto”. “Mas não vai vencer”, garantiu, segundo a Reuters.

A suspensão de Robles é o ponto crítico de um prolongado braço-de-ferro entre os dois políticos, que teve origem nos constantes adiamentos das eleições na Somália.

A decisão unilateral do Presidente, em Abril, de prolongar por dois anos o seu mandato, foi fortemente criticada pelo primeiro-ministro – e pela comunidade internacional –, tendo provocado confrontos entre as facções de apoio aos respectivos dirigentes políticos.

As eleições acabaram, ainda assim, por ser agendadas, e começaram no passado dia 1 de Novembro. Segundo o sistema eleitoral somali, são os representantes dos vários clãs do país que escolhem os membros da câmara baixa do Parlamento, que depois elegem um novo Presidente. O processo deveria ter terminado no dia 24 deste mês, mas no sábado apenas tinham sido confirmados 24 dos 275 deputados.

Farmajo emitiu um comunicado no domingo, através do qual, segundo a Al-Jazeera, criticava Robles por estar a “ameaçar seriamente o processo eleitoral” e a “ultrapassar o seu mandato”. Mas o primeiro-ministro respondeu, acusando o Presidente de liderar uma tentativa de sabotagem das eleições.

O anúncio da suspensão do mandato do primeiro-ministro – que também incluiu a suspensão do general Abdihamid Mohamed Dirir – traz ainda mais incerteza política a um país que não tem conseguido garantir estabilidade política para resolver os muitos problemas que o afligem, nomeadamente na resposta à crise humanitária e à insurgência do grupo jihadista Al-Shabaab.

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