“A resiliência tem limites e é provável que muitos profissionais abandonem o SNS no fim da pandemia”

Apesar dos aplausos ao Serviço Nacional de Saúde durante a pandemia, os decisores políticos vão continuar a olhar para os recursos humanos da saúde como uma despesa e não como um investimento. Resultado: o país vai debater-se com a escassez de profissionais médicos já em 2022, segundo o epidemiologista Mário Jorge Santos, para quem, apesar da persistência do SARS-CoV-2, o mundo pós-pandemia está aí à porta

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Em 2022, e depois do pico de infecções esperado para os meses de Janeiro e Fevereiro, o país começará a relaxar e a preparar-se para uma vida pós-pandemia. Mas o SARS-CoV-2 continuará presente e a exigir máscara e distanciamento, até porque, nos países da África Austral, por exemplo, a inexistência de redes de frio e a alta incidência da sida ameaça a efectividade da vacina. E numa pandemia, claro, não há soluções locais. Por cá, a vacina contra a covid-19 terá muito provavelmente de ser administrada anualmente a idosos e a doentes de risco, misturada com a vacina da gripe, antecipa o epidemiologista e médico de saúde pública Mário Jorge Santos. No mundo pós-covid, que será marcado pelo risco de vermos reforçados os autoritarismos, viveremos numa Europa enfraquecida pela hegemonia da China.

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