Dose de reforço: Portugal já não é dos países que mais vacinam na Europa

Na União Europeia, Portugal ocupa o 14.º lugar na lista dos países que mais administraram doses de reforço, com 23% da população portuguesa inoculada. Primeiro-ministro considera que “temos de assumir que o conjunto da população vai toda necessitar de uma dose de reforço”. População por vacinar com mais de 50 anos ronda os 2 milhões.

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Paulo Pimenta

Cerca de 23% da população portuguesa já recebeu uma dose de reforço da vacina contra a covid-19, uma percentagem que coloca Portugal a meio da tabela europeia. Segundo os dados do Our World in Data, uma iniciativa da Universidade de Oxford que recolhe os dados de vacinação de todos os países, Portugal ocupava, nesta terça-feira, a 14.ª posição na tabela dos países europeus com a maior percentagem de população inoculada com a dose de reforço.

Segundo os dados desta iniciativa, o país vacinou com a dose de reforço até ao momento 22,87% da população, um valor que fica 0,27 pontos percentuais abaixo da taxa de vacinação europeia, que já tem uma cobertura de 23,14%.

No topo da lista de países da União Europeia com a maior percentagem da população com a dose de reforço está a Áustria, com 37,47% da população já inoculada, seguida da Dinamarca (35,06%) e Malta (33,4%). O país europeu com o valor mais baixo é a Bulgária, que, de acordo com os últimos dados disponíveis, só tinha 3,28% da população com a dose de reforço. Nesta lista, não estão contemplados os dados da Croácia, Estónia, Países Baixos e Roménia, que ainda não têm qualquer valor reportado nesta base de dados.

Já em termos globais, Portugal é o 25.º país do mundo com a maior taxa de população com dose de reforço administrada, numa tabela que é encabeçada pela Islândia, que já vacinou 55,24% da população com a dose de reforço. Seguem-se Chile (51,89%), Israel (44,82%) e Reino Unido (42,49%).

Portugal assumiu a dianteira da lista de países com a maior percentagem de população com a vacinação primária ou completa ao longo do ano de 2021. Um facto salientado pelo primeiro-ministro, que, nesta terça-feira, aquando do anúncio de novas medidas para conter a pandemia no Natal e no Ano Novo, disse que o país tem como objectivo acelerar a campanha de vacinação. Apesar deste objectivo, os centros de vacinação estarão encerrados três dias no Natal e dois dias no Ano Novo porque, justifica o primeiro-ministro, os profissionais de saúde “estão cansados”.

“Vamos acelerar o processo de vacinação. É preciso ter em conta que no próximo dia 27 faz um ano que se procedeu à aplicação da primeira vacina. Temos profissionais de saúde, em particular os enfermeiros e assistentes operacionais, quer do SNS quer dos municípios, muito exauridos, fatigados, cansados pela enorme pressão a que têm sido sujeitos. Precisamos que todos tenham plena capacidade, mas temos de respeitar todos, e todos os profissionais também precisam de ter direito ao Natal e passagem de ano”, justificou Costa.

Até ao dia 23 (inclusive), Costa afirmou que continuará a ser feito “um esforço grande”, explicando que chegou a ser discutido que esse fosse também fosse um dia de pausa, optando o Governo que o processo continuasse nesse dia. “Temos de compreender que as pessoas que há mais de um ano lutam para vacinar a população portuguesa também têm direito a uma pausa. Tenho a certeza de que no dia 27 de Dezembro regressarão com força redobrada e no dia 1 de Janeiro com ânimo acrescido”, disse.

Na mesma conferência de imprensa, António Costa revelou ainda que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) vai anunciar em breve o calendário de alargamento da vacinação para as novas faixas etárias. “Temos de assumir que o conjunto da população vai toda necessitar de uma dose de reforço”, acrescentou.

2 milhões de portugueses com mais de 50 anos para vacinar com dose de reforço

Mas qual a dimensão da tarefa que está pela frente? De acordo com os cálculos do PÚBLICO, nos próximos meses, as autoridades portuguesas terão de vacinar cerca 2.053.573 portugueses com 50 ou mais anos.

Os números são extrapoláveis a partir do relatório de vacinação da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que dava conta de que, até esta terça-feira, 86% da população com mais de 80 anos já tinha a dose de reforço e 83% entre os 70 e os 79 também receberam esta dose. Já nos 60-69, 45% da população elegível já tinha esta dose e, nos 50-59, 15%. Tudo somado, significa que, até esta segunda-feira, tinham sido vacinados 2.101.262 pessoas com mais de 50 anos, num universo de elegíveis que se estima ser, a partir destas percentagens, de 4.154.835. Ou seja, tendo em conta as percentagens de população vacinada por faixa etária (um dado que só passou a estar disponível no relatório da DGS nesta terça-feira), faltará vacinar um universo de 2.053.573 pessoas.

Durante a conferência de imprensa do anúncio das novas medidas para travar a pandemia durante a época festiva, o primeiro-ministro António Costa fez saber que “83,5% da população elegível com mais de 65 anos” já recebeu a dose de reforço. Um valor em linha com aquilo que tinha sido tornado público pela directora-geral da Saúde, Graça Freitas, que, em entrevista ao Polígrafo SIC, revelou que entre 80% e 85% da população com mais de 65 anos elegível para receber a dose de reforço já tinha sido inoculada. Já quanto à população que recebeu a vacina da Janssen, a directora-geral da Saúde acrescentou que 60% das pessoas que tomaram esta vacina e que estão elegíveis para receber a dose de reforço já foram vacinadas.

Nesta entrevista, Graça Freitas refutou ainda a ideia de que a administração da dose de reforço esteja “atrasada”, realçando que o país está “aquém da capacidade de vacinar”.

Esta informação é corroborada pelos dados do Our World in Data, que mostram que Portugal terá atingido o pico de capacidade de vacinação contra a covid-19 em meados de Julho, quando foi administrada uma média de 150 mil por dia. Neste momento, e segundo a mesma fonte, o país estará a administrar uma média de 67 mil doses diárias.

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