Emir Kusturica: “A felicidade produzida pela arte é o maior feito dos homens”

O filme feliz de Emir Kusturica, que refugiou a sua solidão junto da música acrobática cigana, Gato Preto, Gato Branco, regressa às salas portuguesas. Onde, há duas décadas, foi visto por mais de 100 mil espectadores. Encontrámos Kusturica. Quisemos saber onde está o cineasta. Se o devemos dar como perdido em favor da agricultura biológica.

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Rui Gaudêncio

Um dia contou que em 1981, quando o Festival de Veneza aclamou o seu Recordas-te de Dolly Bell? com o Leão de Prata para uma Melhor Primeira Obra, a Time americana escreveu sobre ele: “The winner is nobody from nowhere.” Dezassete anos depois, Emir Kusturica, é dele que falamos, apresentava de novo na competição de Veneza um filme, Gato Preto, Gato Branco” (Prémio de Realização, 1998), que se já não podia ser de “ninguém” de “parte nenhuma”, porque entretanto tinham acontecido O Pai foi em Viagem de Negócios (1985, Palma de Ouro de Cannes), Tempo dos Ciganos (1988, Melhor Realizador em Cannes) e Underground — Era Uma Vez um País (1994, Palma de Ouro, de novo), podia, ao menos, colocar a irracionalidade da História em repouso. Em contrapartida, teria de assumir a solidão dos que estavam fora do mundo — abrigara-se junto de três gerações de ciganos num baile nas margens do Danúbio. Só assim podia convocar de novo o cinema, tornando possível reencontrar a infância, como num primeiro filme.

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