Matrix, o filme que mudou tudo, perdeu tudo e ressuscitou

Em 1999, um messias de cabedal e vinil anunciava o futuro da humanidade dominada pela tecnologia — e de Hollywood. A influência de Matrix faz-se sentir até hoje, apesar das sequelas, das teorias da conspiração e do desdém de alguns filósofos. O quarto filme, Matrix Resurrections, chega dia 22.

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“Eu não sei o que é o futuro. Vim para vos dizer como é que ele vai começar”, diz Neo em Matrix em 1999. Um messias de vinil e cabedal com código verde a chover sobre o negrume do fim do século XX chegava discretamente ao cinema mas saía das salas com o estrondo dos Rage Against the Machine a gritar “Wake up! Wake up!” directamente para um mundo real assarapantado. Matrix é uma espécie de cápsula do tempo da vertigem do milénio onde cabem Lewis Carroll, Descartes, Jacques Lacan ou Platão e — contrariado — Jean Baudrillard, um vírus digital que mudaria o cinema tecnicamente e impactaria o mundo real politicamente. Nos últimos 22 anos convocou a comunidade trans e a extrema-direita das teorias da conspiração, Slavoj Žižek ou o sistema da moda; agora chega Matrix Resurrections, um quarto capítulo que volta a interrogar uma versão fantasista da internet quando a sua visão fatalista de 1999 já se concretizou. A banda sonora, desta vez, é dos Jefferson Airplane — “Feed your head. Feed your head”.

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