Blake Bailey sobre Philip Roth: “Não tinha um osso monógamo no seu corpo”

Blake Bailey, o polémico autor da polémica biografia sobre Philip Roth, fala ao Ípsilon da oficina e da solidão de um escritor, do seu falhanço no amor, das grandes marcas de uma obra. Philip Roth, a Biografia apresenta-se ambiciosamente como definitivo.

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A 22 de Março de 2018, Philip Roth morria aos 85 anos, durante o longo do processo de escrita da sua biografia Bettmann/Getty Images

Escrever a biografia de Philip Roth talvez seja o sonho de qualquer biógrafo, não fosse a obsessão do próprio biografado com a questão. Isso leva à pergunta: até que ponto escrever a biografia de Roth era uma tarefa armadilhada, mais armadilhada do que escrever qualquer outra biografia? Roth dedicou a maior parte dos últimos anos de vida à escolha do biógrafo certo. Queria ter controlo. A vontade do autor de Pastoral Americana era que desse trabalho saísse o texto oficial, último, que o representasse. Falou com Hermione Lee, biógrafa britânica, que biografou Virginia Woolf. Ela recusou. Falou com a norte-americana Judith Thurman, autora de biografias de Joan Rhys, Gertrud Steiner e de Isak Dinesen. Recusou. Voltou-se para o amigo Ross Miller, que mais tarde dispensou por discordar do seu método de trabalho. Até que em 2012, já publicado o seu último romance, Nemesis, chegou a um autor que apresentava no currículo as biografias de John Cheever, Richard Yates e Charles Jackson.

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