Passageiros no metro e comboio ainda longe dos níveis pré-pandemia

Comboios, com destaque para os suburbanos, estão a recuperar melhor do que os metropolitanos.

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Metro de Lisboa tem quase menos 50% dos passageiros face a 2019 Nicolau Botequilha

O metropolitano e os comboios transportaram mais pessoas no terceiro trimestre, face a idêntico período do ano passado, mas os dados evidenciam ainda uma forte quebra no número de passageiros quando a comparação é feita com o terceiro trimestre de 2019, antes da pandemia de covid 19.

De acordo com os dados disponibilizados esta sexta-feira pelo INE, entre Julho e Setembro deste ano houve 35,5 milhões de utentes (viagens) a utilizar o metropolitano, o que representa uma subida de 12,5% face a 2020, mas mostra uma queda de 45,2% face a 2019.

O metro de Lisboa foi o que transportou mais pessoas no período em análise, chegando aos 22,2 milhões, seguindo-se o metro do Porto, com 10,2 milhões, e o Metro Sul do Tejo, com 3,1 milhões. Este último, no entanto, é o que está mais perto dos valores de 2019, com uma descida de 20,1% (contra os -39,9% do Porto e -49,5% de Lisboa).

Com a pandemia a afectar a forma como os cidadãos nacionais se movimentam, e também com menos turistas a chegar a Portugal, o comboio acabou por ter um comportamento menos negativo do que o do metropolitano. Assim, de acordo com o INE, no terceiro trimestre de 2021 foram transportados por comboio 32,8 milhões de passageiros (dos quais 90,6% nas linhas suburbanas), o que representa uma subida de 19,1% face a idêntico período do ano passado e uma descida de 28,8% quando comparado com 2019.

“O tráfego internacional manteve-se como o mais afectado, com uma descida de 89,9%, seguindo-se o tráfego interurbano, com uma diminuição de 34,2%, e por fim o tráfego suburbano, com um decréscimo de 28,1% face ao período pré-pandemia”, explica o INE.

Já o transporte por via fluvial aumentou 6,5% face a 2020, chegando aos 4,8 milhões de passageiros, mas está ainda 32,6% abaixo dos valores do terceiro trimestre de 2019. O INE não divulga dados do transporte de passageiros pelas rodoviárias.

Canalizados apoios para as empresas

No final de Novembro, o Governo aprovou a entrega de mais 51,5 milhões de euros do Estado às empresas de transportes públicos abrangidas pelo Programa de Apoio à Redução Tarifária nos transportes públicos (PART), devido aos “efeitos e severidade da crise pandémica no sistema de mobilidade” durante o primeiro semestre deste ano. As verbas são canalizadas através do Fundo Ambiental e das autoridades de transporte (áreas metropolitana de Lisboa e do Porto e as Comunidades Intermunicipais”.  

Em Julho, o Governo já tinha decidido a entrega de 30 milhões por causa dos impactos sentidos pela covid-19 na procura por parte dos passageiros no primeiro trimestre, a que se segue agora este reforço das verbas. Ao todo, são 81,5 milhões de euros, que se somam aos 198 milhões já canalizados para as transportadoras que prestam serviço público previstos para este ano. O Governo também já garantiu que haverá um apoio a estas empresas no ano que vem.

Os dados do INE confirmam também a tendência de recuperação do tráfego aéreo, ao dar nota de que no terceiro trimestre os aeroportos nacionais movimentaram cerca de 10 milhões de passageiros, mais 92,7% face ao mesmo período de 2020 e menos 45% quando comparado com 2019.

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