Prólogo de Philip Roth-A Biografia, de Blake Bailey

Para escrever esta biografia Blake Bailey entrevistou o escritor norte-americano Philip Roth (1933-2018) por períodos diários de seis horas durante um Verão. A biografia que se viu envolvida em polémica nos EUA, na sequência de acusações de violação e assédio ao seu autor, chegou esta semana às livrarias portuguesas numa edição da Dom Quixote. No Ípsilon, o crítico John Freeman escreveu: “Este é um livro capaz de nos fazer adorar Philip Roth e odiá-lo na mesma página”.

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Philip Roth fotografado em 2010 Reuters/ERIC THAYER

No dia 23 de outubro de 2005 celebrou-se em Newark o Dia de Philip Roth. Dois autocarros cheios de admiradores percorreram o Circuito Philip Roth, parando em locais evocativos – o Washington Park, a biblioteca pública, o liceu de Weequahic – onde os participantes se revezaram na leitura de passagens da obra de Roth alusivas a esses locais. No fim, o grupo desceu à porta da casa de infância de Roth, no número 81 da Summit Avenue, manifestando-se efusivamente quando o próprio Roth chegou numa limusina. «Agora faça o favor de vir aqui dar-me um beijo», disse Mrs. Roberta Harrington, atual proprietária da casa, e Roth manteve-a a seu lado durante o resto do dia. O mayor Sharpe James, que Roth adorava (um mayor de grande cidade, com toda a lábia e prosápia), disse umas palavras antes de Roth puxar o pano preto que cobria a placa comemorativa afixada na sua casa: «Esta foi a casa da primeira infância de Philip Roth, um dos maiores escritores americanos dos séculos XX e XXI...» Depois, Roth e os seus acompanhantes atravessaram a rua até à esquina da Summit com a Keer, que uma placa de letras brancas sobre fundo verde proclamava ser agora a Praça Philip Roth.