Brit Awards abandonam divisão por género nas categorias a prémio

A partir da próxima edição dos prémios da indústria discográfica britânica, deixam de existir as categorias de Melhor Artista Masculino e Melhor Artista Feminina, substituídas por uma categoria única.

Foto
Sam Smith, que se identifica como não binário, pedira eme Março que os Brits fossem "um reflexo da sociedade em que vivemos" Miguel Manso

A partir do próximo ano, os Brit Awards deixarão de dividir os seus prémios em categorias de género. Na cerimónia marcada para 8 de Fevereiro na O2 Arena de Londres, já não serão anunciados os Brit para Melhor Artista Masculino e Melhor Artista Feminina, nas componentes britânica e internacional, doravante reunidos numa categoria única: Melhor Artista, simplesmente. Os Brit Awards, os prémios da indústria musical britânica seguem o exemplo dado, por exemplo, pelos MTV Awards, que eliminaram a divisão por género em 2017.

“É importante que os Brits continuem a evoluir e que tenham por objectivo ser o mais inclusivos possível”, declarou em comunicado o director dos Brit Awards e co-presidente da Polydor Records, Tom March, citado pela Reuters. “Sentimos que este é, absolutamente, o tempo certo para celebrar as proezas dos artistas através da música que criam, e do trabalho que fazem, independentemente do seu género.” O objectivo, acentua, “é celebrar os artistas unicamente pelo seu trabalho e pela sua música, e não pela forma como escolhem identificar-se ou como outros possam vê-los”.

Sam Smith, o cantor de Stay with me, que se identifica como não-binário, pedira em Março que os Brit Awards avançassem para a alteração agora confirmada. O autor de Love Goes, que, pelo seu percurso comercial, seria um óbvio candidato aos Brits, argumentou numa publicação nas redes sociais que a sua identidade não-binária não só o impedia de se sentir representado pelas categorias existentes como, na prática, o excluía automaticamente de nomeações que apenas contemplassem os géneros masculino e feminino. “Os Brits sempre foram uma parte importante da minha carreira”, escreveu então, citado agora pela BBC News. “Para mim, a música sempre foi uma questão de união e não de divisão. Aspiro a um tempo em que as galas de prémios sejam um reflexo da sociedade em que vivemos. Vamos celebrar toda a gente, independentemente do género, da raça, da idade, da habilidade, da sexualidade e da classe social.”

Os vencedores dos Brits desde ano foram, enquanto Melhor Artista Masculino, J Hus, e, enquanto Melhor Artista Feminina, Dua Lipa. Na componente internacional, os prémios foram para The Weeknd e Billie Eilish, respectivamente.

Os Grammys, os célebres e influentes equivalentes norte-americanos dos Brits, abandonaram a divisão por género em 2012. Desde essa altura, informa a BBC News, a vitória nas categorias em que a divisão subsistia, Melhor Vocalização Pop, Melhor Vocalização Country e Melhor Vocalização R&B, foi atribuída, em números exactamente iguais, a homens e mulheres.