Os pecados dos pais

Uma curiosa série B de género com a bênção de Guillermo del Toro e um travo a filme de terror dos anos 1970.

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Uma série B sólida e atmosférica que reflecte a escuridão no coração da América contemporânea

É sempre curioso ver um cineasta dito “sério” a abordar o cinema de género — no caso, Scott Cooper, autor de Crazy Heart, Black Mass — Jogo Sujo e Hostis, que aceitou a “encomenda” dos produtores Guillermo del Toro e David S. Goyer. Faminto inscreve-se na linhagem do cinema de Cooper, que tem questionado com maior ou menor sucesso as promessas e premissas do sonho americano, e que encontra aqui uma boa base de trabalho: uma pequena cidade do Oregon destruída pela crise económica que encerrou as suas minas, entregue ao desespero dos opiáceos, sítio perfeito para o ressurgimento de uma criatura dos mitos nativos americanos. Mas é também uma história que ressoa com o cinema de Guillermo del Toro, que sempre trabalhou o terror como espelho distorcido de uma realidade sombria num local específico (seja ela a Guerra Civil Espanhola do Labirinto do Fauno ou a Guerra Fria da Forma da Água).

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