A música da Criatura e as vozes dos Anjos juntos no Dia de Todos os Santos

Depois de esgotarem o Trindade em Maio, a Criatura e o Coro dos Anjos ocupam agora o palco do Maria Matos em Lisboa no Dia de Todos os Santos. Uma data simbólica, com sons e ideias novas.

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Os músicos da Criatura com o Coro dos Anjos TIAGO PINHEIRA

Em 2015 lançaram Aurora e em 2021 Bem Bonda. Dois álbuns assinados Criatura, não uma banda, mas, como eles próprios se denominam, “um bando repleto de músicos, fotógrafos, videógrafos, técnicos e artistas plásticos. Todos eles são criadores. E também eles são criaturas.” Pois o bando anda na estrada a rodar o segundo disco e, mesmo ajustado às restrições da pandemia, tem atraído muita gente e esgotado salas. Esta segunda-feira estarão no Maria Matos, em Lisboa, às 21h.

Edgar Valente e Gil Dionísio, dois dos músicos fundadores da Criatura, explicam ao PÚBLICO os contornos desta digressão. “Vai ser o regresso a Lisboa”, diz Edgar. “Isto depois de termos estamos no Teatro da Trindade em Maio passado, com concertos esgotados. Para as pessoas que acabaram por ficar de fora e não conseguiram estar presentes e também para aqueles que vão querer ver de novo, porque um concerto da Criatura nunca é a mesma coisa, tudo muda: tivemos várias datas de estrada pelo meio, o set não será o mesmo, e vamos ter a presença do Coro dos Anjos com mais elementos do que no Trindade, porque na altura as restrições eram maiores”

“Será o Coro dos Anjos a sério”, acrescenta Gil. “Nós tomamos este segundo disco como obra, como um objecto. E nestes concertos que andámos a fazer [o mais recente foi no Fundão, dia 15] temos tentado ao máximo, e com bastante eficiência, reproduzir em palco o disco na íntegra, tal como ele é. Mas neste concerto, como já houve os outros em Lisboa, podemos repescar o disco anterior, Aurora, e estarão presentes os dois discos com enfoque muito grande no Bem Bonda.”

O disco Bem Bonda, lançado em Fevereiro, foi gravado com a mesma formação de hoje: Acácio Barbosa (guitarra portuguesa), Alexandre Bernardo (bandolim, guitarra acústica, cavaquinho), Edgar Valente (voz, piano, teclados e adufe), Cláudio Gomes (trompete), Fábio Cantinho (bateria), Gil Dionísio (voz e violino), Iúri Oliveira (Mbira e percussões), João Aguiar (guitarra eléctrica), Paulo Lourenço (baixo eléctrico) e Ricardo Coelho (gaita de foles, flauta transversal, ocarina e palhota). O disco teve ainda a participação especial de um músico que já fez parte do grupo, Yaw Tembe (no trompete), e do Coro dos Anjos (um grupo coral do bairro dos Anjos, em Lisboa).

O mesmo filme com uma nova narrativa

Agora, em palco, há várias coisas que mudam. “O facto de alterarmos o alinhamento também muda a narrativa”, diz Edgar. “Vai haver novos arranjos e adaptações das músicas, com ideias novas.” E Gil diz: “Sendo este um objecto profundamente narrativo, com uma história, esta frescura de mudar o alinhamento tem para nós um impacto muito grande. Porque as histórias passam a ter um outro significado, e isso para nós também é interessante. É como um filme, com outra perspectiva. Quando se diz ‘bater o pé’, é muito diferente bater o pé agora do que na altura do Trindade.”

No Trindade esgotaram a lotação, então reduzida a metade devido às regras ditadas pela pandemia. Agora, esperam ter a casa mesmo cheia, já com outras condições. E com produção própria, sem esperar pela programação do teatro, porque quiseram mesmo fazer este concerto agora. “Muitas pessoas que estiveram no Trindade disseram que sentiram uma coisa mesmo forte nos concertos, como se fosse uma cerimónia, uma espécie de ritual, onde o espírito estava muito presente. E não deixa de ser curioso que a única data que conseguimos para fazer isto no Maria Matos foi o Dia de Todos os Santos. De todos os santos, de todos os anjos e de todas as criaturas. Estamos juntos.”

Depois de Lisboa, têm já mais duas datas marcadas: dia 13 de Novembro na Guarda (TMG) e dia 4 de Dezembro no Porto (Casa da Música). O disco, que havia sido lançado apenas nas plataformas digitais, já está agora disponível em vinil (LP) e até final do ano deverá sair também em CD. A par do trabalho do grupo, Edgar Valente e Gil Dionísio têm novos discos a solo. O de Gil, um disco só de vozes, Sons de Embalar para Tempos de Guerra, saiu este ano e uma boa parte dele acabou por integrar um filme que Gil realizou para a coreógrafa Clara Andermatt, que deverá ser conhecido em Janeiro. Também em Janeiro sairá Bandua, de Edgar, do qual já foi estreado há uma semana o tema Macelada.

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