“Não vou preferir um ou outro candidato” à liderança do PSD, diz Marcelo

Presidente da República recebeu Rangel na terça-feira, o que motivou críticas do líder do PSD, Rui Rio. Marcelo ainda mantém a esperança na viabilização do Orçamento do Estado.

Foto
Marcelo Rebelo de Sousa recebeu Rangel e foi criticado por Rui Rio LUSA/JOSÉ COELHO

Marcelo Rebelo de Sousa sacudiu as críticas de Rui Rio sobre o facto de o Presidente da República ter recebido Paulo Rangel na terça-feira, dizendo que fazê-lo antes da votação do OE “era a melhor altura” para aceitar o pedido de audiência do anunciado candidato à liderança do PSD. 

“Se era uma visita de cortesia, tinha de ser o mais rapidamente possível. Se fosse depois é que se poderia dizer que tinha alguma influência ou tinha tido alguma ligação com o voto da Assembleia ou com a vida interna do partido. Antes disso era fazer o que sempre fiz ao longo dos seis anos”, respondeu aos jornalistas em Cacia, quando confrontado com as críticas de Rui Rio nesta quarta-feira de manhã.

Marcelo começou por dizer que “o Presidente é como é, recebe toda a gente, fala com toda a gente”: “Faço isso há seis anos.” Depois afirmou que “soube pelos jornais” que Paulo Rangel se ia candidatar à liderança do PSD e que este lhe pediu uma “audiência de cortesia para explicar porque é que não falou antes com o Presidente”.

O PÚBLICO sabe que Paulo Rangel já tinha feito o pedido de audiência há algum tempo, e que Marcelo reservou o dia de ontem para "despachar” audiências laterais à crise política iminente. Por isso recebeu nesse mesmo dia o novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, a pedido deste, e convidou para jantar em Belém o antecessor, Fernando Medina. 

Por tudo isso, desvalorizou as críticas de Rio, acrescentando que "sempre recebeu e receberá” o presidente do PSD “em momentos cruciais”.

Perante a insistência dos jornalistas sobre os assuntos tratados na reunião, Marcelo disse que nunca revelava as conversas, mas também garantiu: “O Presidente não se imiscui na vida dos partidos. Não tenciono formar nenhum partido [como fez Ramalho Eanes] nem convocar nenhuma reunião magna para falar do futuro do país [como fez Mário Soares]. Também não vou preferir um ou outro candidato.”

“Quem os partidos escolherem está bem escolhido. Como diz o ditado minhoto, dança-se com quem está na roda e o Presidente dança com quem está na política, económica e social”, acrescentou.

Questionado sobre se estava disposto a dar tempo aos partidos para completarem os seus processos eleitorais internos, não respondeu de forma clara. “Irei ouvir os parceiros sociais, os partidos e o Conselho de Estado sobre essa matéria e só depois tomarei a decisão, mas agora é preciso esperar. Depois falamos”, disse

"O Parlamento só decide quando decidir”

Sobre a votação do Orçamento do Estado, Marcelo disse ter ainda uma nesga de expectativa sobre o resultado final: “Ainda não sei qual é o veredicto, vamos esperar, o Parlamento só decide quando decidir” e “ainda faltam duas ou três horas”, afirmou.

“Em democracia, a Assembleia da República é uma instituição democrática”, logo, “qualquer decisão é democrática e o Presidente da República aceita essa decisão", acrescentou Marcelo, insistindo que prefere, “até ao último minuto, que o Orçamento passe.

Marcelo Rebelo de Sousa respondia a perguntas sobre as diligências que disse nesta terça-feira ter efectuado para tentar evitar o “chumbo” do OE, dizendo que elas foram “sobretudo”, ou melhor, “só com os dois partidos da esquerda” que integraram a “geringonça”, e aí percebeu que a aprovação seria muito difícil.

Só depois disso irá desencadear os procedimentos com vista à dissolução da Assembleia da República, tendo o respectivo calendário já bem definido na cabeça. Mas a decisão está tomada: “Se o Parlamento não está em condições de aprovar o Orçamento do Estado, é positivo que se devolva a palavra aos portugueses, porque ter um Orçamento aprovado é fundamental para o país.”

Embora admita que o tempo necessário à realização de eleições possa ser “parcialmente perdido”, para o chefe de Estado “é positivo serem todos os portugueses a dizerem o que pensam e querem”.