EUA. Conselheiros da FDA apoiam administração da vacina da Pfizer em crianças acima dos cinco anos

Painel de especialistas consultados pela agência reguladora do medicamento norte-americana diz que benefícios da administração da vacina em crianças superam os riscos. Decisão final cabe ao Centro de Controlo e Prevenção de Doenças.

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Reuters/JOSE LUIS GONZALEZ

Um painel de especialistas ouvidos e consultados pela agência reguladora do medicamento norte-americana, a Food and Drug Administration (FDA), votou, de forma esmagadora, a favor da administração da vacina da Pfizer/BioNTech em crianças entre os 5 e os 11 anos, sublinhando que os benefícios da injecção superam os riscos.

Uma autorização para esta faixa etária seria um passo regulatório importante para que a vacinação contra a covid-19 chegasse a cerca de 28 milhões de crianças norte-americanas, a maioria delas já de regresso aos recintos escolares.

A vacina pode estar disponível para as crianças dos 5 aos 11 anos já na próxima semana. A FDA não é obrigada a seguir os conselhos dos especialistas externos que consulta, mas é isso que geralmente acontece. A votação foi concluída com 17 votos a favor e uma abstenção.

Se a FDA der luz verde à administração da vacina, um painel consultivo do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos reúne-se na próxima semana para fazer uma recomendação sobre esta questão. O director do CDC terá a palavra final.

Embora os casos de doença grave, de internamento ou de morte por covid-19 sejam relativamente raros em crianças, algumas desenvolvem complicações. Além disso, sabe-se que o número de casos em crianças não vacinadas aumentou por causa da variante Delta do novo coronavírus, que é altamente transmissível. Dados da Academia Americana de Pediatria revelaram que mais de 500 crianças norte-americanas morreram de covid-19.

“Foi a oitava causa de morte mais frequente em crianças nessa faixa etária no ano passado”, disse Amanda Cohn, especialista em vacinas pediátricas do CDC e um dos membros que participou na votação desta terça-feira. “O uso desta vacina irá prevenir mortes, entradas nos cuidados intensivos e efeitos prolongados da doença em crianças”.

A lista de países que já aprovou a administração de uma das vacinas da covid-19 em crianças é curta. Inclui a China, Cuba e os Emirados Árabes Unidos.

Nos Estados Unidos, apenas 57% da população está totalmente vacinada, o que coloca o país atrás de outras nações como o Reino Unido, França e Portugal. Ainda assim, a percentagem de crianças que receberá a vacina, se esta for aprovada, pode ser baixa. A taxa de vacinação nos EUA para crianças entre os 12 e 15 anos está atrás de outras faixas etárias, em cerca de 47%.

Dose mais pequena para crianças

A Pfizer e a BioNTech querem ver autorizada uma dose mais baixa de 10 microgramas da vacina para ser utilizada em crianças mais novas, em comparação com os 30 microgramas que são utilizados nas injecções que são administradas aos maiores de 12 anos. A vacina foi autorizada em Maio para os adolescentes entre os 12 e os 15 anos, depois de ter tido luz verde, em Dezembro, para os maiores de 16.

As empresas afirmam que a vacina mostrou uma eficácia de 90,7% contra o novo coronavírus num ensaio clínico com crianças dos 5 aos 11 anos.

O painel de consultores de FDA prestou muita atenção às informações sobre os casos de miocardite (inflamação do músculo cardíaco), que foram associados às vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, principalmente em homens jovens. Alguns membros do painel consultivo sugeriram que, devido ao risco de miocardite, a vacina deveria ser administrada a um grupo menor de crianças, como aquelas com condições que aumentam a probabilidade de serem hospitalizadas.

A Pfizer disse ainda que poderá ter dados dos ensaios clínicos em crianças ainda mais novas - dos dois aos quatro anos - até o final do ano.