Facebook culpa Apple por resultados aquém das expectativas de Wall Street

A venda de publicidade, que representa a maior parte da receita do Facebook, cresceu menos do que o habitual nos últimos três meses. A quebra surge depois de a Apple ter começado a barrar apps de recolher informação dos utilizadores para lhes mostrar publicidade.

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Facebook aproveitou para falar das acusações de Frances Haugen EPA/MICHAEL REYNOLDS

Mark Zuckerberg diz que as novas regras de privacidade da Apple contribuíram para o facto dos mais recentes resultados do Facebook ficarem aquém das expectativas de Wall Street. Entre Julho e Setembro deste ano, o Facebook (dona da rede social do mesmo nome, do Messenger, WhatsApp e Instagram) facturou cerca de 29 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros). É um aumento de 35% face ao período homólogo, mas são 50 milhões de dólares a menos do que os investidores esperavam. Os resultados foram divulgados no começo desta semana.

O grande problema são os anúncios. A venda de publicidade, que representa a maior parte da receita do Facebook (mais de 97% do valor total), cresceu menos do que o habitual nos últimos três meses. A quebra surge depois de a Apple ter começado a barrar apps de recolher informação dos utilizadores para lhes mostrar publicidade — uma mudança que nunca agradou ao Facebook.

O Facebook foi uma das empresas a beneficiar dos confinamentos globais que vieram com a pandemia da covid-19: mais pessoas passaram a usar as ferramentas da empresa para manter o contacto com amigos e familiares e muitas marcas passaram a investir mais na publicidade dos canais digitais. 

“Tal como esperado, tivemos problemas na nossa receita neste trimestre, incluindo devido às mudanças da Apple que não só afectam os nossos negócios, como os de milhões de empresas mais pequenas”, começou por destacar Mark Zuckerberg na apresentação dos resultados.

No futuro, para contornar as restrições nos sistemas operativos da Apple, o Facebook deve criar soluções que simplifiquem a compra de produtos e serviços directamente nas redes sociais da empresa. “Como as mudanças da Apple tornam o comércio electrónico e a aquisição de clientes menos eficazes online, soluções que permitam que as empresas funcionem dentro das nossas aplicações tornam-se cada vez mais apelativas e importantes”, destacou Zuckerberg.

O impacto de Frances Haugen

Mark Zuckerberg aproveitou a apresentação dos resultados para defender a empresa das acusações recentes. Desde o começo de Outubro que Frances Haugen, uma antiga gestora do Facebook, tem acusado publicamente a empresa de fazer pouco para impedir os seus algoritmos de promover conteúdos extremistas. As denúncias são sustentadas com documentos internos da empresa que Haugen obteve antes de sair do Facebook, em Maio deste ano.

Zuckerberg queixa-se da existência de uma “estratégia coordenada para pintar uma imagem falsa do Facebook”. “Quando decidimos algo, temos de equilibrar bens sociais que competem entre si, como a liberdade de expressão e a redução de conteúdo perigoso”, explica o presidente executivo do Facebook. “Dá uma boa citação dizer que não resolvemos estes dilemas porque só nos preocupamos em fazer dinheiro, mas a realidade é que estas questões não se limitam ao negócio. E [são] sobre o equilíbrio de diferentes valores sociais.”

Futuro com jovens e e-commerce

Além de um maior foco no comércio electrónico, a empresa quer começar a investir mais em conteúdos curtos, em formato de vídeo. O objectivo é tornar a marca mais apelativa a pessoas mais jovens, numa altura em que a plataforma de microvídeos TikTok está a crescer em popularidade. 

“Vamos reorganizar as nossas equipas para que servir os jovens seja o foco”, anunciou Zuckerberg. “Ao longo da última década, à medida que a audiência que usa as nossas apps cresceu e nós tentámos dar resposta a todos, os nossos serviços limitaram-se [a oferecer] aquilo que era maior para a maioria,”, justificou. “Durante este período, a competição tem-se tornado mais intensa, com a popularidade do iMessage, da Apple, a crescer e, mais recentemente, à ascensão do Tik Tok.”

Todas as novidades devem contribuir para a criação do “metaverso” de Zuckerberg, um projecto ambicioso que pretende criar espaços virtuais para pessoas que não estão juntas fisicamente se reunirem, através da utilização de tecnologias como a realidade virtual e aumentada. 

As acções do Facebook caíram 5% esta terça-feira. No entanto, apesar de várias controvérsias este ano, as acções da empresa continuam a valer cerca de 15% mais do que valiam no final de 2020.