Os cães resgatados por anónimos em La Palma “estão bem”

“Não temos a mínima ideia de como decorreu o resgate”, disse o director-geral dos Direitos dos Animais.

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Os cães resgatados por um grupo anónimo depois de semanas cercados pela lava em La Palma “estão em perfeito estado” e “foram identificados”, disse Sergio García, director-geral dos Direitos dos Animais, à agência noticiosa Efe. “Agora o que resta fazer é determinar o que lhes acontecerá”, uma decisão que, disse, caberia ao governo local.

No entanto, no mesmo dia, a Guardia Civil e o director técnico do plano de emergências vulcânicas das Canárias, o Pevolca, disseram ao jornal 20minutos que “não tinham informações” sobre o paradeiro dos podengos, cães usados na caça. “O assunto dos cães não é do Pevolca, nós trabalhamos com a emergência e se os cães estão fora do âmbito da emergência, não são parte dela”, disse Miguel Ángel Morcuende, a 26 de Outubro. 

A poucos dias do resgate oficial que estava a ser preparado em conjunto com as autoridades espanholas e uma empresa de drones galega, os cães deixaram de ser avistados na zona de exclusão em Todoque que, supostamente, seria inacessível por terra. Em vez disso, encontraram pegadas humanas e uma lona com uma mensagem a letras vermelhas gigantes: “Força La Palma. Os cães estão bem. A Team.”

O grupo anónimo, que depois de retirar os cães publicou um vídeo online onde os mostrava após o resgate, terá entregado os animais também com secretismo. “Chamaram veterinários, deram um local e lá estavam os animais, fora da zona de perigo, da zona de lava onde tinham sido confinados”, relata. Continuam sem saber mais pormenores da missão de salvamento, disse. Serão seis cães. 

Desde a semana passada que circulam imagens e vídeos dos cães, que foram partilhadas, por exemplo, por um dos responsáveis da empresa de drones contratada para levar comida e água até ao local onde os cães estavam cercados por lava. 

A Leales.org, organização sem fins lucrativos que se debateu para orquestrar o resgate oficial, mantém que os cães foram “sequestrados” e não resgatados para esconder os maus-tratos animais de que teriam sido vítimas, mesmo antes da emergência vulcânica.

Uma vez que “a maioria dos cães está identificada”, deverão ser entregues tutores, acredita Sergio Garcìa. “Tudo o resto deverão ser especulações. Creio que chegará o dia em que iremos perceber como aconteceu tudo”, disse, acrescentando que a investigação do resgate não oficial não cabe ao órgão que dirige. “A mim o que realmente me interessa é que os animais estejam bem, tal como os restantes animais que sofreram também como os milhares de pessoas devido à situação em que se encontra agora mesmo La Palma”, acrescentou.