EUA vão investir mais de 100 milhões de dólares na cooperação estratégica com a ASEAN

Joe Biden participou na cimeira virtual da organização do Sudeste Asiático e defendeu “centralidade” dos países que a compõem na manutenção da “segurança e da prosperidade” do Indo-Pacífico.

Foto
“As relações entre os EUA e a ASEAN são vitais”, afirmou Joe Biden na cimeira virtual da organização asiática HANDOUT BRUNEI ASEAN SUMMIT 2021 HOST PHOTO HANDOUT/EPA

Os Estados Unidos vão investir 102 milhões de dólares (cerca de 88 milhões de euros) na cooperação estratégica com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), anunciou nesta terça-feira o Presidente Joe Biden, na sua intervenção inicial na cimeira virtual que junta os líderes políticos dos países que compõem a organização.

Segundo a Casa Branca, os 102 milhões de dólares serão investidos em programas de Saúde, Clima, Educação e Economia.

Com os EUA altamente absorvidos numa competição económica e geopolítica com a República Popular da China, o chefe de Estado norte-americano quis deixar claro aos presentes que Washington está comprometida com a ASEAN para garantir que o Indo-Pacífico se “mantém livre e aberto”, com base na “segurança e prosperidade partilhadas” entre todos.

“As relações entre os Estados Unidos e a ASEAN são vitais”, afiançou Biden. “A ASEAN é essencial para a arquitectura regional do Indo-Pacífico e os EUA estão comprometidos com a sua centralidade. A ASEAN é um elemento-chave para a manutenção da resiliência, da prosperidade e da segurança da nossa região partilhada”, acrescentou, prometendo visitar pessoalmente a região num futuro próximo.

A última vez que um Presidente dos EUA tinha participado na cimeira anual da organização que junta dez países do Sudeste Asiático – Birmânia, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Birmânia, Singapura, Tailândia e Vietname – foi em 2017. Essa visita a Manila, nas Filipinas foi, porém, a primeira e última vez que Donald Trump, antecessor de Joe Biden, o fez.

O investimento norte-americano no Indo-Pacífico não é, ainda assim, algo recente. Já tem vários anos. Mas o anúncio do AUKUS, a nova parceria de segurança entre EUA, Reino Unido e Austrália, deixou alguns membros da ASEAN – como a Malásia e a Indonésia – com receio de que a competição entre China e Ocidente atire a região para uma corrida descontrolada às armas.

Mesmo estando na primeira linha da pressão económica e das ambições territoriais chinesas – particularmente no Mar do Sul da China – os Estados da ASEAN também são os principais beneficiários do enorme volume de trocas comerciais com a China e do investimento chinês nas suas empresas.

Nesse sentido, a participação de Biden na cimeira organizada pelo Brunei também serviu para o Presidente norte-americano os sossegar, esclarecendo que o AUKUS e outras iniciativas militares, como o Diálogo de Segurança Quadrilateral – o QUAD, que junta EUA, Austrália, Índia e Japão –, não pretendem trazer instabilidade à região, mas garantir a defesa dos interesses de todos os envolvidos.

Joe Biden aproveitou ainda a participação no encontro da ASEAN para manifestar a sua “enorme preocupação” com a onda de violência na Birmânia. A Junta militar que tomou o poder no país no início do ano recusou apresentar um representante neutro na cimeira e, também por se recusar a implementar o plano de paz acordado em Abril com a organização, foi impedida pelos restantes membros de participar na edição deste ano.

“A ASEAN não excluiu a Birmânia do enquadramento da ASEAN. A Birmânia é que abdicou do seu direito”, lamentou esta terça-feira Hun Sen, primeiro-ministro do Camboja.