Obra de Maria Judite de Carvalho traduzida pela primeira vez para inglês

Os Armários Vazios foi traduzido por Margaret Jull Costa e tem a chancela da norte-americana Two Lines Press. Tradução e edição contaram com o apoio da Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

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Maria Judite de Carvalho morreu em 1998, aos 76 anos DR

Uma obra da escritora portuguesa Maria Judite de Carvalho, Os Armários Vazios, foi traduzida pela primeira vez para língua inglesa e editada este mês, revelou a editora norte-americana Two Lines Press.

Os Armários Vazios, romance traduzido por Margaret Jull Costa, foi publicado originalmente em 1966 e a narrativa entrelaça três gerações de mulheres numa sociedade patriarcal: Dora Rosário, a filha Lisa e a sogra Ana.

Na Kirkus Review, a crítica ao livro considera-o “uma obra luminosa cujas personagens precisas evocam verdades abrangentes sobre a experiência humana”.

Já na Paris Review pode ler-se que Os Armários Vazios (Empty Wardrobes, no título em inglês) é “um livro sobre como os homens traem as mulheres e sobre como as mulheres se traem umas às outras”.

“O que se segue é uma obra que não hesita em expor as crueldades e as tentativas de agarrar o poder que subjazem a um casamento e quão rápido a sociedade descarta as mulheres a envelhecer”, acrescenta a crítica.

Antes de Os Armários Vazios, que também está traduzido para francês e polaco, Maria Judite de Carvalho tinha publicado outros títulos, entre eles Tanta gente, Mariana (1959) e As palavras Poupadas (1961).

O romance Os Armários Vazios é editado em inglês no ano em que se assinala o centenário do nascimento de Maria Judite de Carvalho, cuja obra foi recentemente reeditada na íntegra pela Minotauro, em seis volumes.

Maria Judite de Carvalho (1921-1998) deixou romances, crónicas e contos, escreveu sobre a solidão, histórias sombrias da vida quotidiana que observava, e foi considerada pela crítica uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa do século XX, não obstante ser pouco conhecida dos leitores.

No âmbito da colecção dedicada à escritora foram ainda publicadas, por exemplo, as colectâneas de contos Flores ao Telefone (1968) e Seta Despedida (1995), as crónicas de A Janela Fingida (1975) e de Este Tempos (1991), a peça de teatro Havemos de Rir (1998), a poesia de A Flor que Havia na Água Parada (1998) e os diários enquanto Emília Bravo.

Em Setembro passado foi ainda publicado o livro Felizmente as Árvores são Grandes, de poesia para crianças.

Maria Judite de Carvalho, que foi casada com o escritor Urbano Tavares Rodrigues, trabalhou na revista Eva, onde publicou o primeiro conto, no Diário de Lisboa, no Diário de Notícias, no Diário Popular e no semanário O Jornal.

Apesar de curta, a obra literária da autora foi distinguida, nomeadamente, com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e o Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística.

Tanta Gente, Mariana, Seta Despedida e Os Armários Vazios são três das obras de Maria Judite de Carvalho integradas nas listas de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.

A tradução e edição de Os Armários Vazios em língua inglesa contaram com o apoio da Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.